Você é professor do ensino fundamental ou médio? Atua em escola pública, instituto federal, EJA (Educação de Jovens e Adultos) ou projeto social? Que tal levar seus alunos ao cinema e, depois da sessão, conversar com a turma sobre o que viram?
As produções audiovisuais são bons pontos de partida para inspirar debates, ampliar repertórios e até desenvolver projetos de longa duração em sala de aula. Essa é a proposta do “Sua Aula no Cinema”, iniciativa do CurtaEducação que vai selecionar professores de todo o Brasil para levar seus estudantes gratuitamente a uma sessão especial em suas cidades.
Com inscrições abertas até 26 de junho, a plataforma realizará, em agosto, 100 exibições gratuitas de “Mundurukuyü – A Floresta das Mulheres Peixe”, filme indígena que convida à reflexão sobre os povos originários, seus territórios, saberes e formas de resistência.
Além da experiência no cinema, os educadores participantes poderão concorrer a um prêmio de R$ 2 mil com relatos de práticas pedagógicas inspiradas no filme.
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Sobre a obra
Ambientada às margens do rio Tapajós, no Pará, a história apresenta a floresta das mulheres-peixe a partir da mitologia Munduruku, segundo a qual, na origem do mundo, humanos se transformaram em plantas, animais e parte da natureza.
No dia a dia da aldeia Sawre Muybu, os espíritos da floresta não são apenas forças espirituais ancestrais, mas parte da família. Mesmo diante de anos de invasão e destruição do território, ela segue viva, assim como a resistência do povo Munduruku.
Confira o trailer:
Como concorrer?
Para participar, educadores do ensino fundamental ou ensino médio de escolas públicas, institutos federais, EJA (Educação de Jovens e Adultos) e projetos sociais devem inscrever suas turmas neste link, informando dados pessoais, nome da escola, quantidade de estudantes, cidade e cinema mais próximo da unidade escolar.
Serão selecionados 100 professores de todo o Brasil. A lista completa será divulgada nas redes sociais do CurtaEducação em julho. Clique aqui para ler o regulamento completo.
A exibição do filme acontecerá em agosto e, no mesmo dia, cada educador terá 20 minutos para conduzir um primeiro debate com os estudantes dentro do cinema, antes de levar a conversa também para a escola.
Inspirados pela atividade, os professores deverão compartilhar seus relatos de experiência com o CurtaEducação. Os 10 melhores serão publicados na plataforma, e cada educador selecionado receberá um prêmio de R$ 2 mil.
Contexto histórico
Dirigido pelo coletivo audiovisual munduruku Daje Kapap Eypi, formado pelas diretoras Aldira Akay, Beka Munduruku e Rilcélia Akay, “Mundurukoyü – A Floresta das Mulheres Peixe” foi lançado durante o festival É Tudo Verdade, na mesma semana do Acampamento Terra Livre (ATL) 2025, uma das maiores mobilizações indígenas do país.
Em entrevista à Repórter Brasil, Rilcélia Akay Munduruku, uma das diretoras do documentário, explica que a ideia do filme nasceu em meio aos ataques e ameaças ao território. Para ela, contar essas histórias tradicionais é também uma forma de reafirmar a relação ancestral do povo Munduruku com a natureza.
“Em meio a tantos projetos, a tantos ataques que tivemos, veio a ideia de criar um filme que fala da mitologia, que diz onde o rio, a floresta, os peixes, os animais um dia foram nossos antepassados”, afirma.
Segundo Rilcélia, a juventude indígena também tem um papel essencial na continuidade dessa resistência. “Nós não podemos desistir em nenhum momento da nossa luta, não podemos nos calar, não podemos nos vender, não podemos nos intimidar diante dos grandes impactos que vêm para dentro do nosso território”, afirma.
“Devemos ser fortes, seguir firmes e viver, a cada dia, para defender tudo aquilo que é sagrado para nós, povos originários, que dependemos do nosso meio ambiente, do nosso lugar sagrado”, finaliza.

