Resgate de canções infantis e instrumentos em sucata valorizam aulas de musicalização - PORVIR
Crédito: Dusan Stankovic/iStock

Diário de Inovações

Resgate de canções infantis e instrumentos em sucata valorizam aulas de musicalização

Aplicado de maneira remota e presencial com crianças de 3 a 5 anos em Joinville (SC), projeto estimula aprendizado musical em família*

por Jacqueline Elise Koch ilustração relógio 13 de abril de 2022

Os sons e os silêncios são portadores de informações e significados. O mundo vibra em diferentes frequências, amplitudes, durações, timbres e densidades. Perceber, produzir e se relacionar por meio de sons faz parte da história de vida do ser humano.

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O sentido da audição foi, desde o princípio, responsável pela significativa leitura das coisas deste mundo. As crianças interagem permanentemente com o ambiente sonoro que as envolve e, logo, com a música – ouvir, cantar e dançar são atividades presentes na vida de quase todos os seres humanos, de diferentes maneiras. 

Receptiva e curiosa, a criança pesquisa materiais sonoros, descobre instrumentos, imita sons de animais e ruídos dos objetos, inventa e imita motivos melódicos e rítmicos e ouve com prazer a música de todos os povos. Ela é um ser “brincante” e, brincando, faz música. E, ao mesmo tempo, se relaciona com o mundo que descobre a cada dia.

O projeto “Um brinquedo chamado música” foi idealizado para promover experiências integrando possibilidades de trabalhar com o fazer musical: as fontes sonoras, os jogos de improvisação, a sonorização de histórias, a construção de instrumentos musicais com o aproveitamento de sucatas, o trabalho vocal e corporal, a escuta e o treinamento auditivo e um repertório de brincadeiras, canções e parlendas. 

Professora transforma sucata em instrumentos para valorizar a musicalização
Crédito: Prefeitura de Joinville/Divulgação

Mas como continuar esse trabalho de sensibilização por meio dos sons e da música com o distanciamento social? Algumas iniciativas na área de musicalização já aconteciam com crianças de 3 a 5 anos do CEI (Centro de Educação Infantil) Adolfo Artmann, de Joinville (SC). Com a pandemia do coronavírus, no início de 2020, essa prática promoveu interação e manutenção do interesse dos alunos em tempos de distanciamento social, mantendo a relação afetiva entre a professora e os alunos, a partir de vídeos produzidos durante o período exclusivamente remoto. 

As propostas do projeto “Um Brinquedo Chamado Música” foram elaboradas com vídeos nos quais eu desenvolvia jogos, ensinava canções e histórias com sugestões de como preparar o espaço, incentivando a interação com a família. Também buscava utilizar materiais que poderiam ser encontrados em casa, facilitando as aprendizagens, contribuindo para que a criança tivesse assegurado o direito de conviver e interagir com outras pessoas (familiares) por meio das vivências. 

As propostas foram elaboradas de forma a “desenvolver a personalidade, aptidões e a capacidade mental e física da criança em todo seu potencial; imbuir na criança o respeito por seus pais, sua própria identidade cultural, seu idioma e seus valores, pelos valores nacionais do país em que reside, (…) e das civilizações diferentes da sua; imbuir na criança o respeito pelo meio ambiente”, conforme  estipula o Artigo 29 da Convenção dos Direitos da Criança, sendo adaptadas ao modelo remoto.

Foi necessário variar técnicas para manter o interesse dos pequenos. Entre as utilizadas, estão: stop motion; gravações no espaço do CEI; fantoches e outros elementos para os vídeos; videoconferências; envio de materiais para as crianças construírem instrumentos em casa; contato constante com as famílias por meio das plataformas digitais; cantar e brincar perante a câmera, de forma a atrair a atenção das crianças e manter os laços afetivos; pensar um planejamento que teria de ser aplicado por outra pessoa, de forma que compreendesse os objetivos de aprendizagem e a importância daquela proposta ou brincadeira no desenvolvimento da sua criança, utilizando somente elementos do cotidiano doméstico; adaptar as práticas pedagógicas e manter resposta constante às devolutivas pela plataforma foram os principais desafios enfrentados ao longo da proposta.

Professora toca violão ao lado de crianças em sala de aula
Crédito: Prefeitura de Joinville/Divulgação

O envolvimento e valorização das famílias foi fundamental ao longo de todo o ensino remoto e ainda repercutiu na modalidade híbrida de ensino, em 2021. Nas devolutivas, os brinquedos musicais de sucata constantemente “reapareciam” nos vídeos e nas fotos das crianças, sendo utilizados novamente por elas em outras propostas, o que revela o cuidado e a valorização do que construíram.

Houve resgate de brincadeiras e lembranças da infância dos familiares e o envolvimento dos irmãos, maiores e menores, nas construções e dobraduras, participando dos jogos musicais e de estátua e que, de forma adaptada ao distanciamento, as crianças tiveram oportunidade de interações mais próximas com a família.

No modelo presencial, o projeto teve continuidade em 2021 e, em 2022, vai ser ampliado para mais um CEI da região de Joinville, passando a atender um total de 382 crianças.

A iniciativa, que colabora com a continuidade da proposta prevista na BNCC (Base Nacional Comum Curricular) de brincar e interagir, procurou suprir e se adaptar perante o problema causado pelo distanciamento, bem como a forma de condução adequada à faixa etária.

As propostas procuram inspirar o brincar, visto que todos os direitos de aprendizagem estão diretamente ligados à interação e à brincadeira, pois nela a criança participa, explora, expressa, se conhece e convive com seus pares. As propostas forneceram repertório, oportunizaram diálogos que ampliaram e enriqueceram seu vocabulário e demais recursos de expressão e de compreensão, motivaram a participação da criança na promoção do cuidado de si e do outro e na comunidade. 

*O projeto “Um brinquedo chamado música” foi o vencedor no XXII Prêmio Arte na Escola Cidadã (realizado pelo Instituto Arte na Escola), na categoria Educação Infantil.


Jacqueline Elise Koch

Graduada em pedagogia, especialista em psicopedagogia e educação infantil. Trabalha como professora de educação infantil na rede municipal de Joinville (SC) há 17 anos.

TAGS

cultura maker, educação infantil, engajamento familiar, ensino remoto

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