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Crédito: Divulgação/Tenho monstros na barriga

Diário de Inovações

Professora usa monstrinhos para falar sobre emoções com as crianças

Para lidar com o luto de perda familiar vivido por duas alunas, a educadora desenvolveu uma atividade de leitura que teve impacto na sala inteira

por Izabel Soares de Souza 22 de fevereiro de 2017

Eu estava trabalhando com uma turma de terceiro ano e percebi no primeiro dia de aula que uma aluna era muito tímida. Ela chorava muito, mas eu não sabia o motivo. Quando eu perguntei para a mãe, descobri que o pai dela tinha morrido há pouco tempo. Também tinha outra menina da sala que enfrentava a mesma situação e até apresentava problemas de indisciplina por causa disso. Como professora, eu comecei a olhar para elas de um jeito diferente e pensei que poderia fazer alguma coisa para ajudar essas crianças.

Durante um evento da Fundação Lemann, em São Paulo, eu conheci a Tonia Casarin e soube que ela tinha publicado um livro para falar de sentimentos com as crianças. Eu não conhecia a história, mas fui presenteada por ela com um exemplar do “Tenho Monstros na Barriga”. Achei super bacana e pensei que tinha tudo a ver com o que eu precisava.

O livro apresenta alguns monstrinhos para falar sobre sentimentos e depois traz um questionário para as crianças responderem. Baseada nele, eu comecei a preparar um projeto durante o recesso escolar para desenvolver com a turma após o retorno das aulas.

Diario-InovacoesCrédito: Izabel Soares de Souza/Arquivo Pessoal

Aos poucos, comecei a fazer a leitura do livro com eles. Toda semana eu contava a história de dois monstrinhos e fazia uma atividade prática. Durante uma das aulas, os alunos escreveram em um cartaz o que deixava eles com raiva. Quando ficou pronto, fomos para o ginásio esportivo, e eu dei uma bola para eles. Eles tinham que jogar a bola naquilo que trazia esse sentimento. Eles extravasaram, fizeram isso muito bem e alguns até se emocionaram.

Nessa mesma aula, também fiz a pergunta sobre o que deixava eles alegres. Falamos um pouco das coisas que nos deixavam contentes e fizemos uma brincadeira de queimada com o auxílio da professora de educação física. Foi super divertido e as crianças deram muita risada.

Leia mais: Livro incentiva educação socioemocional na infância

Eu também comecei a perceber que poderia usar o livro para resolver problemas disciplinares. Fizemos uma atividade falando sobre bullying, em que os alunos tinham que contar o que deixava eles tristes. Eles tiveram a oportunidade de falar, e eu acabei descobrindo coisas que nem imaginava. Estava muito focada em duas crianças específicas, mas eu percebi que tinha muito mais problemas na sala do que eu imaginava. A maioria das crianças tinha alguma situação para lidar.

Depois que começamos a fazer esse projeto com o livro, percebi que a turma começou a se respeitar mais. Eles notaram que os colegas também tinham problemas. Os alunos passaram a cuidar mais dos outros e amadureceram muito nesse sentido.

Diario-Inovacoes2Crédito: Izabel Soares de Souza/Arquivo Pessoal

Eu contei essa experiência para a Tonia, autora da obra, e ela decidiu presentar todos os alunos com um exemplar do livro. Como estava perto do dia das crianças, fiz uma sacola bonita e coloquei mais algumas coisas dentro.

Antes de entregar o livro, chamei os pais na escola para conversar. Contei sobre o projeto que estávamos fazendo e sugeri que eles fizessem novamente a leitura com os filhos em casa. Eles iriam responder juntos algumas perguntas e compartilhar o que deixava eles com medo, tristes ou felizes. A ideia era que eles também tivessem momentos de trocas, assim como tivemos na escola.

O projeto só acrescentou para a turma. Pedagogicamente, eu percebi que eles se mostraram mais interessados e começaram a participar mais das aulas. Lidar com os sentimentos dos alunos fez com que eles se sentissem seguros dentro daquele ambiente. Eles perceberam que alguém se interessava pelos problemas deles.

Izabel Soares de Souza

Formada em pedagogia pela Universidade Camilo Castelo Branco, em São Paulo, e pós-graduada em letramento e arte educação pela Faculdade Campos Elíseos, em Mogi das Cruzes. Passou a atuar na área da educação em 2008. De lá para cá, atuou na área educacional em diversos colégios, no ensino privado e público, como SESI, Instituto Brasil Social e Colégio Rio Branco da Fundação de Rotarianos. Ingressou na rede municipal de ensino de Ferraz de Vasconcelos (SP) em 2013. Atuou na Secretaria de Educação do Município em 2015 e atualmente leciona para a turma de 4º ano da EMEF Professora Primorosa Jorge do Nascimento. ​

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competências para o século 21, ensino fundamental, socioemocionais