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Diário de Inovações

Professores compartilham experiências em programa de formação continuada

Em Curitiba (PR), as vivências de sala de aula se transformaram em um percurso formativo para desenvolver competências com os estudantes

por Fernando Oliveira Mesquita 7 de dezembro de 2017

Quando falamos em programas tradicionais de desenvolvimento de professores, pensamos em especialistas e consultores compartilhando seus conhecimentos com uma equipe docente na esperança de que esses conhecimentos sejam colocados em prática nas salas de aula. Esse modelo, apesar de interessante, traz poucos resultados em termos de aprendizagem para os alunos se não for estruturado de forma que haja um acompanhamento contínuo desses professores.

Os programas de desenvolvimento profissional que mais atingem resultados acontecem dentro das escolas, com casos relevantes e alinhados com as prioridades das instituições. A inovação nessa área está em oferecer aos professores as experiências que queremos que eles reproduzam com os alunos, já que eles criam aquilo que faz parte do repertório de vivências e experiências deles. Foi isso que fiz com uma equipe de 16 professores da International School of Curitiba, no Paraná.

Uma tendência internacional em termos de formação continuada do professor é envolver equipes de professores na resolução de problemas reais, específicos e oriundos das suas práticas. Os modelos eficazes geralmente envolvem estudo de caso, análise de produções dos alunos, observações de aula seguidas de coaching (método de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal e profissional), entrevistas com alunos e famílias, observação dos próprios colegas ensinando e utilizando técnicas de alto impacto na aprendizagem e o desenho colaborativo de soluções curriculares e extracurriculares.

Com o objetivo de exemplificar a possibilidade de se pensar em um currículo que faça a mediação da aquisição não só de conhecimentos, mas principalmente o desenvolvimento de competências, o meu departamento preparou sua definição do conceito de ensino por competências através de uma revisão da literatura sobre o tema. Fizemos uma reflexão sobre com essa prática era incorporada no trabalho de cada um e como intensificar a autonomia do aluno, desenvolvendo as habilidades de resolução de problemas.

Dentro da estrutura de um projeto formativo de um bimestre, cada professor preparou uma oficina/laboratório para exemplificar para outros docentes da escola como é o processo de desenvolvimento de competências na sua sala de aula. Essa atividade teve o objetivo de proporcionar reflexão, compartilhamento de estratégias de alto impacto e aprendizagem profissional colaborativa, através de observação, ação, feedback (retornos avaliativos) e implantação de novas ideias na prática individual de cada professor participante.

Ter essa experiência através das diferentes disciplinas e dos diferentes estilos de ensino foi inspirador no sentido de revelar novas formas de pensar o fazer pedagógico, reforçando e enriquecendo o repertório de estratégias didáticas de cada professor com ideias que são facilmente reproduzíveis em outros contextos. A possibilidade de observar, atuar, refletir e oferecer feedback faz com que o próprio professor desenvolva suas competências docentes em um ambiente formativo relevante para o exercício do seu trabalho.

As condições para essa troca de conhecimentos precisam ser criadas nas escolas, por meio de carga horária exclusiva para a formação continuada do docente, por meio de métodos ativos de aprendizagem e em ambiente de confiança favorável. O sucesso desta iniciativa esteve na utilização de métodos ativos, da parceria entre os colegas, na mentalidade de crescimento compartilhada entre todos os participantes e na vontade de cada um de entregar o seu melhor para facilitar a aprendizagem dos alunos.

As pesquisas educacionais apontam que uma das melhores estratégias para aprender algo é ensinar a alguém. Como observador desse processo formativo, posso afirmar por experiência que todos os participantes saem enriquecidos e energizados por esse modelo de formação continuada e constato mais uma vez que é ao ensinar que a competência docente toma forma.

Fernando Oliveira Mesquita

Trabalha para fazer avançar a aprendizagem de crianças e jovens brasileiros há mais de 12 anos por meio do ensino e da formação continuada de equipes de professores do ensino fundamental, médio e educação de adultos. Mestre em educação e especialista em liderança educacional pela McGill University. Atualmente pesquisa a cidadania digital nos currículos escolares em seus estudos de doutorado pela Universidade de Lisboa.

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competências para o século 21, formação continuada