Saúde, clima e equidade de gênero são temas de grande relevância social e merecem espaço na sala de aula. Por meio do ensino da democracia, cada um desses assuntos se fortalece quando amplamente discutido na escola. Educar para a cidadania é assegurar que os alunos aprendam a viver em sociedade.

Uma maneira de tornar isso possível é por meio da aprendizagem baseada em projetos. Ao colocar a “mão na massa” e desenvolver diversos tipos de projetos, os estudantes internalizam conceitos e passam a refletir sobre o mundo de forma crítica e criativa. Um exemplo disso é a proposta Sandra Virgínia, professora de língua portuguesa e projeto de vida no Colégio Estadual Abelardo Barreto do Rosário, em Tobias Barreto (SE). A educadora abordou uma questão importante de saúde pública: a dignidade menstrual.

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Ao discutir os direitos das mulheres, Sandra visava reduzir os constrangimentos causados no ambiente escolar pela forma como os absorventes eram distribuídos às alunas – frequentemente, por meio dos meninos, o que gerava brincadeiras inadequadas. Esse foi o ponto de partida para aprofundar o debate sobre a questão.

A ideia de explorar o próprio território também inspirou o projeto de Warly Borges, professor de geografia no Colégio Estadual Cônego Trindade, em São João da Paraúna (GO). Ele notou que seus alunos tinham pouco conhecimento sobre o bioma Cerrado, mesmo estando inseridos nele. A partir disso, o professor iniciou uma atividade que deu protagonismo aos estudantes, incentivando-os a explorar seu território e a preservar o ambiente local.

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Esses são exemplos de dois dos cinco projetos que participaram do programa de mentorias promovido pelo Instituto Porvir e pela Fundação FHC (Fernando Henrique Cardoso) neste ano. Intitulada “Do plano à prática! – Democracia e participação na escola”, a iniciativa foi criada para apoiar professores da rede pública no ensino médio a implementar propostas que incentivem a democracia e a participação escolar.

“Estamos vivendo uma onda de autoritarismo e descrença na política. Para fortalecer nossa democracia, precisamos fomentar valores democráticos e incentivar o pensamento autônomo nos jovens. As escolas têm um papel essencial e podem incorporar o ensino sobre democracia em projetos que colocam os jovens como protagonistas de suas comunidades”, destaca Beatriz Kipnis, coordenadora de estudos e debates da Fundação FHC.

Ouça o episódio sobre dignidade menstrual de “O Futuro se Equilibra”, podcast do Porvir sobre equidade na educação.

Cada professor selecionado recebeu uma bolsa de R$ 1.000 para apoiar a execução dos projetos, com a condição de destinar ao menos 70% do valor para as atividades relacionadas. A bolsa foi paga em duas parcelas, condicionada à participação em encontros formativos e sessões de mentoria.

“Acreditamos que promover a participação dos estudantes é essencial não apenas para transformar o ambiente escolar, mas também para incentivar o exercício da cidadania. Para isso, é fundamental envolver os jovens em projetos que conectem o currículo a temas relevantes para suas vidas. Foi com o objetivo de apoiar os professores nessa missão que desenvolvemos a mentoria”, comenta Marina Lopes, cofundadora do Instituto Porvir e diretora editorial da Agência Soluções Porvir.

Entre 13 de junho e 10 de outubro, os educadores participaram de encontros formativos e de mentorias individuais com a equipe do projeto. Renata Salomone, orientadora da Escola Parque e fundadora da MAPA Metodologias Ativas, foi uma das mentoras que conduziu a formação nos encontros coletivos e acompanhou os professores nas mentorias individuais.

Ela comenta que a aprendizagem baseada em projetos possibilita aos estudantes um percurso pedagógico estimulante e significativo, no qual podem observar problemas reais de forma contextualizada e colaborativa.

“Quando os alunos são desafiados a enfrentar questões relevantes, em vez de receberem conteúdos prontos, eles se sentem mais motivados a buscar o conhecimento ativamente, investigar e resolver problemas, conectando o aprendizado com suas vidas e desenvolvendo um senso de responsabilidade pelo próprio aprendizado”, analisa.

Além disso, Renata considera que trabalhar com projetos permite aos alunos desenvolver habilidades relacionais, não necessariamente vinculadas ao currículo formal.

O processo de mentoria envolveu tanto encontros formativos coletivos quanto atividades individuais. Heloize Charret, sócia da MAPA Metodologias Ativas e consultora de professores, também atuou como mentora. “A combinação dos encontros coletivos e individuais criou condições muito especiais para que o grupo pudesse cocriar aprendizagens únicas, refletindo sobre as etapas do PBL (“Problem Based Learning, Aprendizado Baseado em Problemas) enquanto vivenciavam essas etapas coletivamente”, disse.

Os professores selecionados implementaram projetos inspirados nos roteiros pedagógicos produzidos pelo Porvir, em parceria com a Fundação FHC: Caminhos sustentáveis: ações locais, impactos globais; Mulheres em foco: caminhos para equidade e Saúde para todos: enfrentando desafios e construindo soluções. Além disso, utilizaram as Linhas do Tempo da Construção de Direitos, produzidas pela FFHC, para compor o trabalho.

Conheça em detalhes os cinco projetos selecionados e inspire-se!

(clique na seta para ler sobre o projeto)

Sobre o programa 

O programa de mentoria “Do plano à prática! – Democracia e participação na escola” é uma iniciativa do Instituto Porvir e da Fundação FHC, criada para apoiar professores do ensino médio da rede pública a implementar projetos que incentivem a democracia e a participação no ambiente escolar. 

Em sua primeira edição, o programa recebeu 115 inscrições, vindas de 23 estados, com cinco professores selecionados para participar.

O programa ocorreu de 13 de junho a 10 de outubro, incluindo:

  • 7 Encontros Formativos Coletivos Online: Realizados às quintas-feiras, das 18h às 19h30, abordando conteúdos práticos e teóricos para a implementação de projetos.
  • 2 Sessões Online de Mentoria Individual: Encontros entre os professores e as mentoras Renata Salomone e Heloize Charret, com foco em orientações personalizadas para o desenvolvimento dos projetos.

Calendário dos Encontros Coletivos:

  1. Encontro 1 (13/06) – Apresentação do programa, integração e definições iniciais.
  2. Encontro 2 (20/06)Aprendizagem baseada em projetos e avaliação formativa.
  3. Encontro 3 (08/08) – Investigação e definição do problema.
  4. Encontro 4 (15/08) – Ideação e planejamento.
  5. Encontro 5 (29/08) – Execução.
  6. Encontro 6 (19/09) – Socialização dos aprendizados.
  7. Encontro 7 (10/10) – Encontro de encerramento e reflexões finais.

Bolsa
Cada educador selecionado recebeu uma bolsa de R$1.000 para apoiar a execução dos projetos, sendo necessário destinar pelo menos 70% do valor para atividades relacionadas ao projeto. A bolsa foi paga em duas parcelas, condicionada à participação nos encontros formativos e sessões de mentoria.

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