Alunos exploram criatividade e criam galerias de arte dentro de casa - PORVIR
Crédito: Mike Fox/Unsplash

Diário de Inovações

Alunos exploram criatividade e criam galerias de arte dentro de casa

Em Natal (RN), professor estimula estudantes do 4º ano a identificar elementos de arte contemporânea em suas residências com o apoio das famílias

por Rivaldo Bevenuto de Oliveira Neto ilustração relógio 11 de maio de 2022

Devido à pandemia da Covid-19, uma geração de crianças foi marcada pelo processo de distanciamento social de forma repentina. Isoladas em suas casas, vivenciaram novas formas de se relacionar com a família e com a escola, sobretudo com as novas demandas do ensino remoto frente às atividades síncronas e assíncronas mediadas pelas telas digitais. Este cenário, encontrado em muitas escolas, também pôde ser percebido em nossas turmas de 4º ano do ensino fundamental do Núcleo de Educação da Infância, Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (NEI – CAp/UFRN), no ano letivo de 2020.

O isolamento limitava as vivências escolares aos cantos da casa e antes que essa realidade fosse desgastada, propusemos às crianças uma nova forma de olhar para os objetos do seu entorno, de modo que pudessem ressignificá-los e transformá-los em arte. Desse modo, o Projeto “Arte contemporânea e ensino remoto na infância: ressignificando o olhar estético em tempos de distanciamento social” foi desenvolvido no componente curricular arte, com ênfase na linguagem das Artes Visuais. Realizamos aulas síncronas pelo Google Meet.

A abordagem teórico-metodológica adotada para o desenvolvimento deste trabalho foi a “Abordagem Triangular para o Ensino de Arte”, defendida por Ana Mae Barbosa, prevista na Proposta Pedagógica do NEI/CAp (2017) e a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), ancorados nas seis dimensões propostas: criação, crítica, estesia, expressão, fruição, reflexão.

Nesse sentido, as crianças vivenciaram experiências estéticas durante todo o processo artístico. Com a nossa mediação, a partir de aulas dialógicas, as turmas apreciaram obras de arte contemporânea e foram convidadas a explorar a criatividade no ambiente familiar. Conduzimos o grupo em uma proposta de ressignificação do olhar estético a partir da fruição da arte em suas próprias casas, tendo como eixos provocadores da criatividade, os objetos do seu entorno e como apreciadores os seus próprios familiares.

1º momento: Realizamos uma roda de conversa para identificar as experiências que as crianças tinham com o ensino de arte e sondar que práticas artísticas elas já haviam desenvolvido na pandemia.

2º momento: Realizamos uma aula expositiva dialogada com a turma abordando a ideia de composição visual e apresentamos a proposta de trabalhar com arte contemporânea nas aulas de arte. Como atividade, propusemos que as crianças produzissem suas próprias composições visuais, a partir do que haviam compreendido na aula.

3º momento: As crianças produziram suas próprias obras com objetos do seu entorno e foram convidadas a compartilharem suas ideias nos encontros virtuais da turma. Cada criança elaborou uma apresentação de slides para socializar com os colegas e professores os seguintes aspectos: o esboço/croqui da obra, os materiais utilizados e o produto.

4º momento: Realizamos uma aula expositiva dialogada com a turma sobre arte e ambiente, dando ênfase às instalações artísticas. Para ampliar a ideia de instalação apresentamos obras de Hélio Oiticica, Judy Chicago e Cildo Meireles como matriz inspiradora para a criação. Apreciamos as obras Tropicália e Éden, de Hélio Oiticica, e discutimos sobre as possibilidades de interação do público com a obra. Como atividade, propusemos à turma a criação de ambientes artísticos em suas próprias casas.

5º momento: A partir da aula expositiva dialogada, na qual as crianças passaram a pensar na interação do público e do corpo na instalação, surgiu o desejo de elaboração de uma exposição de arte.

6º momento: Organizamos uma exposição intitulada “Arte em minha casa? Pode entrar!”. Utilizamos o Padlet como nossa galeria virtual, uma ferramenta online que permite a criação de um mural ou quadro virtual dinâmico e interativo para registrar, guardar e partilhar conteúdos multimídia. Fizemos a revisão das técnicas utilizadas em nossas produções (fotografia, vídeo, assemblage e instalação), identificamos a modalidade a que cada produção se referia e definimos os títulos das obras.

7º momento: Como culminância do projeto, realizamos uma vernissage da exposição “Arte em Minha Casa”, sendo transmitida pelo Google Meet para uma plateia de mais de 60 pessoas. Durante o evento, o público conheceu as obras que compõem a exposição e as crianças compartilharam suas impressões sobre o processo criativo. A participação e a interação dos expositores e do público foi garantida durante o evento virtual por meio da fala e também pelo do registro escrito, com postagens de comentários na plataforma, além das “curtidas”(reação permitida na galeria) nas imagens e vídeos das obras apresentadas.

Finalizamos a experiência com uma autoavaliação da turma. Nesse processo criativo, as crianças puderam compreender que o processo e a experiência vivenciada são mais importantes que o produto final. Entenderam também, que a interação do público com a obra complementa a experiência estética.


Rivaldo Bevenuto de Oliveira Neto

Graduado em pedagogia pela UVA (Universidade Estadual Vale do Acaraú) e em artes visuais pela UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), possui mestrado em educação na linha de pesquisa educação e inclusão em contextos educacionais (UFRN). Doutorando em Educação pelo PPGEd/UFRN. Professor do EBTT (Ensino Básico, Técnico e Tecnológico) no Núcleo de Educação da Infância - NEI/CAp da Universidade Federal do Rio Grande do Norte/UFRN. Semifinalista do Prêmio Arte na Escola Cidadã (2021) e finalista do Prêmio Educador Nota 10 (2021).

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educação mão na massa, ensino fundamental

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