Auto-organização nos estudos traz mais ritmo para o aprendizado - PORVIR
Crédito: AprendiZAP/Divulgação

Inovações em Educação

Auto-organização nos estudos traz mais ritmo para o aprendizado

Com a distância imposta pela pandemia e a volta das aulas presenciais, educadores contam com estratégias para incentivar crianças e jovens a se organizar com as tarefas em casa

Parceria com AprendiZAP

por Maria Victória Oliveira ilustração relógio 29 de abril de 2022

Não foi apenas o novo modelo de ensino, o aprendizado e a adoção de novas práticas e tecnologias que ocuparam a mente dos educadores durante o período de escolas fechadas. Muitos também se preocuparam com a auto-organização dos alunos para que conseguissem dar continuidade aos estudos em casa. E esse desafio é retomado com a volta às aulas presenciais.

“A construção da auto-organização é uma atividade que procura romper com a passividade na prática educativa. Esse incentivo, que não deve ser visto como um trabalho extra para o professor, mas sim uma necessidade formativa, pode potencializar práticas educativas que acrescentam responsabilidade, cooperação, sociabilidade, solidariedade e vida coletiva entre os alunos, professores, escola e comunidade”, comenta Carla Borges, professora das redes municipais das cidades de Sarzedo e São Joaquim de Bicas (MG).

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Para Débora Nunes, especialista em produtos da Fundação 1Bi, essa inquietação por parte dos docentes acontece, principalmente, por dois motivos. Um deles é a falta de atividades que incentivam o desenvolvimento da autonomia dos alunos. “Geralmente, as aulas nas escolas estão estruturadas de maneira avaliativa e de controle. Então se antes da pandemia no seu dia a dia de aula presencial o professor trabalhar atividades que demandavam supervisão e que não falavam a língua dos alunos, no contexto remoto, sem essa supervisão direta, isso foi muito difícil.”

Segundo a especialista, uma alternativa é trabalhar mais metodologias ativas, que possibilitem que os jovens escolham, por exemplo, o que desejam estudar. A ideia é estimular que a criança ou o adolescente, tendo acesso a ferramentas e conteúdos, desenvolva uma independência para estudar, sempre com auxílio e direcionamento por parte do professor.

Outra possibilidade é implementar um trabalho com objetivos. Ou seja, ao invés de supervisionar se o aluno copiou todo o conteúdo da lousa, fez todas as atividades e estudou o material, o professor delimita que, no final do mês, será realizada uma atividade sobre um tema. Ao longo das semanas, a ideia é que o aluno estude o conteúdo a partir de ferramentas como o AprendiZAP, por exemplo, que usa o WhatsApp para enviar aulas e exercícios para estudantes como reforço escolar, e esteja pronto para a atividade.

“O aluno vai ter uma independência maior do ritmo e da forma de estudar, mas isso vai ser cobrado em algum momento para uma discussão mais ativa na sala de aula. Então, para estimular a independência do estudante, o professor sai desse papel de supervisão e controle e passa para um papel de oferecer os recursos necessários para essa independência, ao mesmo tempo que gerencia essa autonomia com atividades, objetivos e com o uso de metodologias ativas”, comenta Débora.

Contexto familiar
Outro motivo que, segundo Débora, explica a ansiedade dos docentes quanto aos estudos de crianças e jovens enquanto estavam em casa é o contexto familiar de cada residência. A pandemia empurrou milhares de pessoas para a fila do desemprego, o que prejudicou o sustento de inúmeros lares. Em muitos deles, adolescentes precisaram se somar à missão de trabalhar para conseguir colocar comida na mesa. Nesse contexto, não é incomum que os estudos acabem com menor atenção por parte dos estudantes.

“Há alunos que mesmo antes da pandemia já precisavam ajudar nas atividades de casa e a olhar irmãos mais novos. No caso de estudantes que estão em um contexto de vulnerabilidade socioeconômica, ter um momento e espaço para estudar é algo complexo, que interfere demais na disciplina e na organização dos estudos desse jovem”, explica Débora.

A educadora Carla Borges, que atuou com turmas de 1° e 4° ano do ensino fundamental durante a pandemia, afirma que uma de suas dificuldades era saber em qual horário este estudante realizava as tarefas propostas e tentar descobrir como foi a adaptação das famílias à nova realidade imposta pela pandemia e os impactos na organização dos estudos nas suas casas.

Para obter respostas, criou um formulário do Google, ao qual 50% dos estudantes responderam que faziam as atividades no próprio horário da aula e a outra metade afirmou que não tinha um horário definido. “O questionário me auxiliou a gerenciar a ansiedade de obter retorno no horário previsto da aula e compreender a realidade dos sujeitos, suas vivências, angústias, frustrações e anseios, contribuindo para minha atuação no sentido de respeitar e propor ações a partir da das realidades de cada estudante.”


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Criando uma rotina
Octavianus Cesar Silva, professor da rede estadual do Ceará, comenta que um ponto fundamental quando o assunto é estudo é a constância, sendo que a falta dela pode trazer consequências para crianças e jovens. “Desde quando um indivíduo se torna professor, ele compreende a importância de ajudar os alunos em sua auto-organização, a criar essa rotina organizada para conseguir render mais. Mas isso é um desafio porque nem sempre a rotina do estudante é fácil.”

Segundo o educador, uma das principais características da organização do estudo é a rotina para alcançar a constância. “Se o aluno conseguir encontrar um horário e um lugar para se dedicar aos estudos – seja durante trinta minutos, que depois se transformam em uma ou duas horas –, esse período de tempo constante pode e vai fazer uma grande diferença para qualquer aluno”, explica.

Para que isso seja possível, um caminho é uma parceria entre o professor, o coordenador pedagógico e o estudante na elaboração e montagem de um cronograma de estudos de acordo com as necessidades particulares de cada um.

“Não dá para simplesmente chegar com um horário de estudo pronto para o aluno. É interessante que essa rotina seja constituída junto com o estudante para que ele fale sobre sua vida fora da escola e encontre o melhor horário para estudar. Depois dessa elaboração, é interessante acompanhar e perguntar se ele está conseguindo cumprir o combinado. Se aparecerem fatos novos que estão atrapalhando, é importante que um novo horário seja construído.”

Nesse processo, é importante combinar o estudo das disciplinas em casa no mesmo dia que forem abordadas na escola, ou no dia anterior, o que ajudará no preparo ou na fixação do conteúdo.

A importância da orientação do professor
Independentemente da forma como o aluno irá se organizar, um denominador comum é a importância da orientação do educador em diferentes frentes. O uso de ferramentas tecnológicas, como o próprio WhatsApp, é potencializado mediante orientação, sobretudo em um mundo repleto de informações diversas a todo o momento.

“Se o aluno não tiver alguém que o oriente a utilizar o celular, o computador e toda a tecnologia que lhe foi disposta de uma maneira consciente, correta, acertada e direcionada para os seus estudos, fica complicado porque a tecnologia com a carga positiva para a educação é a mesma tecnologia que pode levar o aluno a perder o foco”, explica Octavianus.

“Ter um auxílio nessa auto-organização é muito importante porque em um mundo de informação, não ter um direcionamento de como e o que estudar pode gerar mais desconforto e confusão para o aluno do que conseguir ter uma rotina”, completa Débora.

Na prática
O caso de Júlia Neitzel, aluna do segundo ano do ensino médio da escola André Leão Puente, na cidade de Canoas (RS), ilustra como o mundo da tecnologia no qual os jovens estão imersos também pode ajudá-los a estudar. Júlia conta que foi no TikTok que assistiu vídeos com dicas de estudos durante o distanciamento social.

“No começo da pandemia, muita gente não estava conseguindo se organizar no EaD, então as pessoas que conseguiram se organizar de alguma maneira e manter um cronograma de estudo postaram como fazer isso, a partir de fichas, muita leitura e mapas mentais, que é uma excelente forma de resumo que te ajuda a gravar as coisas muito bem”, explica.

A jovem também conta sobre a importância de visualizar o próximo passo de suas tarefas, o que, em seu caso, fez a partir de fichas e um calendário. Além dessas ferramentas, ela também fala sobre os grupos de WhatsApp criados pela escola e também sobre o grupo que criou para seu uso próprio, onde anota dúvidas, lembretes, envia prints de matérias ou discussões sobre conteúdo.

O podcast da escola também tem ajudado os estudantes. Júlia conta que é uma maneira de aprender de forma mais divertida. “Acho que toda tecnologia pode ser usada a nosso favor e na escola não é diferente. Usamos muito as salas digitais, não precisamos mais imprimir nossos trabalhos para entregar, e mandamos tudo pelo Google Classroom. Tem sido ótimo e espero que continuemos a usar.”

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aprendizagem ativa, competências para o século 21, ensino médio, tecnologia

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