Atitude melhora nota em português e matemática - PORVIR
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Inovações em Educação

Atitude melhora nota em português e matemática

Pesquisa do Instituto Ayrton Senna aponta que habilidades socioemocionais impactam o desempenho escolar

por Fernanda Kalena e Tatiana Klix ilustração relógio 25 de março de 2014

Curiosidade, persistência, responsabilidade e espírito colaborativo são características cada vez mais valorizadas e muito se fala em ensiná-las para desenvolver competências para o século 21. Graças a um estudo realizado pelo Instituto Ayrton Senna, agora se sabe que elas também melhoram o desempenho dos alunos em português e matemática. Segundo a pesquisa divulgada nesta terça-feira (25), o desenvolvimento dessas características ao longo da vida escolar impacta diretamente no aprendizado dessas disciplinas.

Chegar a essa conclusão foi possível após um questionário piloto ter sido aplicado a 25 mil alunos do 5o ano do ensino fundamental, 1o e 3o do médio, da rede estadual do Rio de Janeiro, em outubro do ano passado. As perguntas não tinham resposta certa ou errada, mas múltiplas alternativas que representavam, a partir de uma escala de pontos, determinadas dimensões de comportamento. Entre as questões estavam indagações como: “Quanto você consegue prestar atenção nas aulas?”, “Consegue estudar mesmo tendo outras coisas interessantes para fazer?” e “Quanto você é esforçado?”.

“É na base do autorrelato, na opinião do próprio aluno: estamos confiando no conhecimento que a criança e o adolescente tem de si mesmo, fazendo perguntas cuidadosas que foram selecionadas a partir de um estudo”, explicou Ricardo Primi, doutor em psicologia escolar e do desenvolvimento humano e um dos autores da pesquisa, durante o Fórum Internacional de Políticas Públicas Educar para as Competências do Século 21. Esse estudo que deu subsídios para o trabalho do Instituto Ayrton Senna foi desenvolvido por profissionais de diferentes áreas, dentre eles, psicólogos, psicometristas, especialistas de avaliação educacional e de impacto.

O questionário foi batizado de Senna, abreviação invertida de Avaliação Nacional das Não Cognitivas e Socioemocionais, e levou em conta, primeiro, cinco grandes domínios da personalidade: abertura a novas experiências, conscienciosidade, extroversão, neuroticismo e amabilidade. E acrescentou um sexto: motivação e crenças (veja a explicação de cada um no infográfico abaixo).

Para poderem relacionar os dados levantados pelo Senna com o desempenho dos alunos nas disciplinas regulares, foi usado o resultado do sistema de avaliação de português e matemática da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro. Assim, foi possível cruzar os resultados e entender, dentro dessa amostragem, quais as habilidades socioemocionais mais presentes nos resultados dos alunos com melhor desempenho nessas disciplinas.

Com base nesses dados, o relatório aponta que, se um estudante que tenha nota de conscienciosidade no pior quartil de resultado – aquele que desiste fácil de seus objetivos, sem foco e pouco organizado – for estimulado e chegar ao maior nível dessa habilidade, ele melhora seu desempenho em matemática o equivalente a 4,5 meses de aprendizado.

Em português, as habilidades socioemocionais que trouxeram mais benefícios para o aprendizado da disciplina foram a abertura a novas experiências, que engloba a criatividade e imaginação, por exemplo, e motivação, precisamente sobre o quanto o indivíduo relaciona suas decisões pessoais com acontecimentos externos.

Ainda em português, a pesquisa também relata que, levando em conta apenas os alunos do 5o ano do fundamental, a conscienciosidade também tem um papel importante. Já a extroversão tem efeito negativo para estudantes do 1o e 3o ano do ensino médio. Segundo a literatura internacional sobre o tema, é difícil de se identificar o efeito da extroversão sobre resultados educacionais.

Com essa primeira amostragem, foi feito um trabalho de aprender como fazer a medição dessas habilidades, segundo Daniel Santos, economista especialista em impacto de políticas voltadas à primeira infância, autor do estudo junto com Primi. “O que existia até então era uma evidência grande da importância dessas competências para o futuro e que a escola é capaz de modifica-las, isso já justifica medi-las e repassar a informação. Agora o como essas informações vão ser usadas ainda precisa de amadurecimento.”


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avaliação, competências para o século 21, instituto ayrton senna, socioemocionais

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Rosa Casati RamaldesMary Ferraz Quem acabou de comentar
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Mary Ferraz
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Mary Ferraz

Excelente pesquisa com argumentos diferentes até então . O pesquisador provavelte tem estas características . Já e considerada uma pesquisa ?

Rosa Casati Ramaldes
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Rosa Casati Ramaldes

Parabéns pela pesquisa. O desenvolvimento do espírito colaborativo ao invés do espírito competitivo ao longo da vida escolar impacta diretamente na relação de sociedade de boa qualidade. Reações com atitudes negativas geradas por competições banais entre estudantes têm sido cada vez mais frequente em todos os níveis de escolaridades. A disputa acaba gerando o egoísmo. E na maioria das vezes colhemos o que plantamos e nunca me esquecerei de que quando minha filha estava no… Ler mais »