A formação integral dos estudantes para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva é apontada pela BNCC (Base Nacional Comum Curricular) como a proposta central da educação brasileira. Em sistemas educacionais de diferentes países, os desafios e agendas globais prioritárias também têm ganhado espaço nas salas de aula. Na Itália, por exemplo, a discussão sobre mudanças climáticas se transformou em matéria obrigatória em todas as escolas. Nos Estados Unidos, a temática de justiça social entrou para o currículo de alguns estados.
Neste 28 de abril, data em que é celebrado o Dia Mundial da Educação e o aniversário de 11 anos do Porvir, é importante refletir sobre os propósitos que queremos alcançar com a formação de crianças, adolescentes e jovens.
Para marcar a data e reforçar o nosso compromisso com a produção de conteúdos sobre transformações que garantam equidade e qualidade na educação a todos os estudantes, preparamos uma lista com 10 jovens ativistas que estão empenhados em agendas prioritárias para o Brasil e para o mundo: crise climática, defesa da democracia, redução de desigualdades, direitos humanos e combate ao racismo.
Para a produção deste material, contamos com apoio da Ashoka, rede global que reúne pessoas e organizações para promover mudanças sistêmicas para o bem comum, a fim de que todos se reconheçam como agentes de transformação.
➡️ Quiz: Suas aulas estão conectadas com as agendas globais e as prioridades da educação?
Combate ao racismo
No Brasil, a lei 10.639 completou vinte anos de existência, tornando obrigatório o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nos currículos escolares. Porém, um estudo recém-lançado pelo Geledés Instituto da Mulher Negra e pelo Instituto Alana demonstrou que 71% das secretarias municipais de educação realizam pouca ou nenhuma ação para a efetividade da lei. Em um país fundado no racismo, a promoção de uma educação antirracista deve ser encarada como urgência para todas as escolas. O tema também é uma pauta global que requer maior comprometimento das nações em todas as esferas, conforme tem apontado Tendayi Achiume, relatora especial sobre formas contemporâneas de racismo na ONU (Organização das Nações Unidas).
Conheça jovens ativistas que estão envolvidos com essa causa:
Crise climática
A ansiedade com as mudanças climáticas afeta a vida de 45% dos jovens no mundo, conforme apontou uma pesquisa publicada no periódico Science Direct, que ouviu 10 mil pessoas com idades entre 16 e 25 anos em 10 países, incluindo o Brasil. A temática ambiental também aparece entre os temas de maior preocupação dos jovens ouvidos pela pesquisa JUMA (Juventudes, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas), mas 36% deles afirmaram que não conhecem o bioma onde vivem. Mais da metade dos entrevistados esperam que instituições públicas e privadas promovam debates em escolas e universidades para ajudá-los a enfrentar os efeitos da crise climática.
Conheça jovens ativistas que estão envolvidos com essa causa:
Defesa da democracia
As gerações mais jovens estão cada vez mais insatisfeitas com a democracia, conforme relatório do Centre for the Future of Democracy da Universidade de Cambridge (Reino Unido), que reuniu bancos de dados de 154 países realizados durante cinco décadas. E não é só isso. Na pesquisa Juventude e Democracia na América Latina, a partir da escuta de jovens de 16 a 24 anos do Brasil, da Argentina, da Colômbia e do México, foi possível identificar que eles defendem a democracia, mas estão desconectados emocionalmente e afetivamente das instituições democráticas. Diante desse contexto, a escola precisa apoiar a formação cidadã dos jovens para que eles possam exercer sua participação de forma democrática em diferentes contextos.
Conheça jovens ativistas que estão envolvidos com essa causa:
Direitos humanos
Apenas 7% dos brasileiros afirmam que têm “muito” conhecimento sobre direitos humanos e desigualdade de gênero, como apontou dados de um levantamento feito pela ONU Mulheres com Instituto Ipsos. Nesse cenário, a escola tem um papel fundamental na promoção de princípios e valores fundamentais, como liberdade, igualdade, dignidade, justiça, direito à educação, entre outros. Além de garantir os direitos de crianças, adolescentes e jovens, também é preciso chamar a atenção deles para as diversas violações que acontecem no Brasil e no mundo.
De acordo com a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), fome, pobreza, trabalho infantil, casamento forçado, falta de segurança e saneamento básico são algumas das principais barreiras que impedem 62 milhões de meninas de frequentar a escola diariamente. Em 2021, um relatório da Organização Internacional do Trabalho, Walk Free e Organização Internacional para as Migrações apontou que 50 milhões de pessoas no mundo viviam em situação de escravização moderna.
Conheça jovens ativistas que estão envolvidos com essa causa:
Redução de desigualdades
No mundo, 1,3 bilhão de pessoas vivem na pobreza. Dados do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) apontam que grupos étnicos e mulheres são os mais afetados por essa condição. A redução de desigualdades é uma agenda global urgente, representada inclusive pelo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 10, que entre outros pontos, chama atenção para a redução das desigualdades de renda, inclusão social, econômica e política, garantia de oportunidades iguais e fim da discriminação.
Conheça jovens ativistas que estão envolvidos com essa causa:

