A Escola Estadual Maria do Carmo Viana dos Anjos está localizada na zona norte da capital amapaense, em Macapá. Próxima de uma região de remanescentes de quilombolas, o Curiaú, o que obriga muitos deslocarem uma certa distância para chegar à escola. Atendemos as modalidades do ensino fundamental 2 e o ensino médio.
Para muitos somos considerados uma escola de periferia, e isso se reflete em baixa autoestima de muitos estudantes e funcionários, não raro causam ausência de pertencimento e cuidado com o patrimônio público. Em meio as dificuldades estruturais e aos dilemas comuns ao público jovem, sempre procuramos trabalhar projetos pertinentes à comunidade escolar e voltados a solucionar algumas problemáticas.
Em abril de 2017, tivemos o conhecimento do 9º Concurso de Desenho e Redação promovido pela CGU (Controladoria-Geral da União) pela primeira vez. Chamou-nos atenção o tema “Todo dia é dia de cidadania”. Organizamos nosso projeto de modo interdisciplinar, com as disciplinas de artes, história e língua portuguesa e literatura. Procuramos trabalhar a temática de modo que o assunto se tornasse significativo na formação de cidadãos mais conscientes e responsáveis. Em língua portuguesa e literatura foram três grandes ações: talk show literário e histórico, produção da redação e a eleição da redação representante da nossa escola.
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Em todas elas percebemos grande envolvimento das turmas, além de melhora significativa na qualidade textual com maior argumentatividade e construção de leitores reais, melhor interação na turma e sentimento de pertencimento ao ambiente escolar. Partimos da concepção sociointerativa de educação, de modo que consideramos o meio comunitário em que a escola está inserida bem como a interação dos indivíduos, e que dessa interação ocorre o desenvolvimento do ensino-aprendizagem. Consideramos que o ambiente sala de aula podem ser extrapolados em diversas oportunidades dentro e fora da escola, com incentivo à pesquisa e trocas de experiências.
Nos meses de abril e maio foi trabalhado o período literário pré-modernismo, cujo contexto histórico social incluía as guerras de Canudos e do Contestado, as revoltas da Chibata, da Armada e da Vacina, além das grandes greves operárias no início do século 20. Autores como Monteiro Lobato, Euclides da Cunha e Lima Barreto trataram em suas obras alguns desses problemas. Das reflexões acerca da participação popular em conquistas mais democráticas gerou uma ação denominada de talk show literário e histórico, consistia em parodiar os programas televisivos noturnos de entrevistas. Nesta ação, os estudantes montaram seu “programa” com o entrevistador e entrevistado previamente selecionado. Durante a última semana do mês de maio fizemos a culminância das apresentações.
Já no mês de junho os estudantes receberam as primeiras orientações sobre texto dissertativo, tipos de argumentos e parágrafos. Em seguida, foi solicitado que fizessem uma redação em que poderiam apresentar a concepção de cidadania e formação de cidadão. Essas produções apresentavam diversos problemas como clichês cidadania/eleição, ausência do leitor imaginário para o texto além da professora, dissociação com outras áreas do saber etc. Então aproveitei o período de férias para dar o devido distanciamento temporal do texto e propor que o retorno para a reescrita encontrasse neles não mais um escritor, mas um leitor real do próprio texto.
Com os textos prontos, realizamos um processo de votação. A escolha desta metodologia levou em consideração a própria temática do concurso, de modo que houvesse maior protagonismo, envolvimento e sentimento de pertencimento por parte dos estudantes do ambiente escolar. No total foram contados 176 votos, sendo:
– Texto 01 “Adolescente em nossa cidadania” (47 votos)
– Texto 02 “Exercendo a cidadania em sociedade” (37 votos)
– Texto 03 “O que é ser um cidadão?” (91 votos)
– 01 voto branco
O texto 03 continha trechos de plágios, de modo que procuramos refletir com os estudantes o aspecto nocivo desta prática infelizmente muito comum. De modo que o texto selecionado para o concurso foi o segundo mais votado, o número 01. Como resultado, tivemos grande parte da escola lendo os textos e comentando. Escritores consideraram o valor do leitor para produzirem um texto com mais discursividade, com considerável melhora argumentativa e apresentação formal.
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