Parceria entre professora e estudantes leva jogos às aulas de ensino médio - PORVIR
Crédito: pikisuperstar/Freepik

Diário de Inovações

Parceria entre professora e estudantes leva jogos às aulas de ensino médio

Giovana Picolo, do Rio Grande do Sul, cria jogos para ensinar português, espanhol, inglês e arte e compartilha suas produções com o Porvir

por Giovana Bittencourt Falkenback Picolo ilustração relógio 17 de fevereiro de 2022

O jogo é muito importante dentro do espaço escolar. E, quando falo isso, não quero dizer que é importante apenas para as turmas de alunos menores. Todos nós gostamos de jogar! O jogo estimula o raciocínio, faz com que se trabalhe em conjunto e não de maneira isolada. E isso é muito bom dentro de qualquer sala de aula: a colaboração. E, por falar nisso, todas as experiências citadas aqui no texto estão com links, para que vocês também possam utilizá-las.

Trabalho em duas escolas públicas em Pinhal da Serra, município com pouco mais de 2 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul. Na Escola Estadual de Ensino Médio São Paulo de Tarso, com as disciplinas de inglês e artes (para todas as turmas), português (3º ano) e espanhol (9º ano). Na Escola Municipal de Educação Básica Professor Tadeu Silveira, com turmas de 6º a 8º anos nas disciplinas de inglês e artes cênicas.

Durante o período remoto, queria muito inovar minha maneira de ensinar, tornar as aulas mais atrativas para os estudantes que estavam em casa. Não sabia ao certo por onde começar. Compartilho, neste Diário de Inovações, o que criei para o ensino médio.

Decidi buscar no Google instruções para criar alguns jogos. Muitos, porém, pediam funções que não encontrava na versão do PowerPoint que eu tinha. Consegui baixar alguns templates prontos para editar, mas nem tudo o que a gente faz dá certo, né? Um deles era um jogo de perguntas e respostas, mas os alunos o abriram no Google Apresentações e aparecia tudo junto (pergunta e resposta). O que fiz? Transformei a ideia em um jogo dos 7 erros para rever a transitividade verbal.

Também fizemos um curso oferecido pela Secretaria Estadual de Educação. Depois das aulas com o professor Márcio Machado, aprendi a trabalhar de forma colaborativa e a criar jogos com apresentações e formulários, todos disponíveis nesse link. No YouTube, também compartilho algumas dicas para personalizar os materiais!

Então, comecei a mandar esses games para os alunos, inclusive para introduzir conteúdos históricos relacionados a artes (como os da Semana Farroupilha) para que pudessem revisar (análise sintática) ou ainda para que eles trabalhassem com produção textual.

Fiz alguns escapes para a turma, que precisava descobrir enigmas a fim de passar para as outras seções do jogo. Era muito bom ver o empenho de cada um. Todos começaram a se ajudar mais, compartilhando algumas informações ou dizendo como faziam para acessar o conteúdo. A descoberta, afinal, não aconteceu apenas para mim, como professora, mas para eles também, pois a maioria joga online ou publica em redes sociais. Tudo era novidade!

Eu até precisei fazer bate-papo virtual para contar como eles deveriam fazer para acessar cada atividade oferecida. Nesse material de apoio, tive a ajuda da aluna Kádyma, do 1º ano.

Criar jogos não quer dizer que eles precisem ser apenas digitais. Podemos pensar em muitas possibilidades! Nas aulas de artes na escola São Paulo de Tarso,  já no retorno às atividades presenciais, solicitei aos alunos que criassem jogos para doarmos para a sala de recursos de AEE (Atendimento a Alunos Especiais). O objetivo era que cada um fizesse o seu utilizando material reciclado. E o resultado foi incrível, como vocês podem observar nas fotos. (Clique na seta abaixo para ver todas as imagens):

Percebi que eles gostaram dessa nova forma de aprender. Uma turma dizia que, quando voltássemos a ter aulas presenciais, queria começar a produzir jogos também. E uma aluna que encontrou um pouco mais de dificuldade conversou comigo. Eu disse: “Quem sabe eu tiro esse tipo de atividade da aula?” Mas a resposta foi que ela gostava, apenas precisava aprender a acessar! Por isso eu fiz a reunião online explicando.

Meus alunos são meus parceiros para a criação de atividades e até mesmo para me auxiliarem no que eu não sei. Se eu ensino, também aprendo muito! Um deles já se formou (o André), mas sempre tirava print do telefone para que eu pudesse inovar nos jogos.  E a Kádyma… Ah! Essa sempre está me ajudando, dando dicas de sites para que eu possa editar vídeos, fazendo print do celular, para que possa mandar para os colegas. Sempre que tenho alguma dúvida (se vai dar certo ou não), mando para ela testar.

Nos jogos, sempre colocava meus bitmojis (e-mojis pessoais) e pude ensiná-los a criar também. Claro que tive que ir atrás de outros tutoriais e também pedi ajuda para meus alunos, afinal eles lidam mais com tecnologia digital do que eu. E não pedi socorro apenas agora em tempo de pandemia, pois acredito que tudo é uma questão de troca: eu ensino o que sei, eles me ensinam o que sabem!

Quando voltamos ao presencial, eu os levava até o laboratório de informática e lhes ensinava o passo a passo da criação dos jogos que eles fizeram remotamente, compartilhava um documento para que eles colocassem os links e depois nós jogávamos e procurávamos os erros para poder consertar (wordwall e classtools.net).

Percebi que eles pesquisavam bastante para criar seus jogos. Ou seja: havia a busca do conhecimento, a retomada do que foi ensinado. Isso também é uma forma de estudar. Sem contar que ao observarmos algum erro, comentávamos e consertávamos. Eles conversavam entre si, ajudavam-se e isso me deixou muito feliz, pois a escola não é feita sozinha ou de prédios. Ela é feita de pessoas, de seres humanos, de conversa, de trabalho em equipe. E isso me deixava cada dia mais apaixonada pela minha profissão.

Vale ainda ressaltar que eu consigo a participação de pessoas fora da escola para me ajudar nas  atividades, como o doutor Sebastião Josino (que atua no posto de saúde do município com estratégia e saúde da família) nesta atividade sobre Novembro Azul.

E não para por aí não! Estou construindo um site para compartilhar todas as atividades que desenvolvi com meus alunos para que outros professores possam utilizar. Deixo aqui o convite para vocês: https://sites.google.com/educar.rs.gov.br/gigi-teacher.

Estamos no mundo de passagem, somos as marcas que deixamos!


Giovana Bittencourt Falkenback Picolo

Leciona na área de Linguagens na escola EEEM São Paulo de Tarso e na EMEB Professor Tadeu Silveira, em Pinhal da Serra (RS). Formada em Letras pela UPF (Universidade de Passo Fundo), com pós-graduação em Práticas Pedagógicas Interdisciplinares e Supervisão Escolar, gosta muito do seu trabalho, sempre em busca de informação para melhorar a qualidade de suas atividades e sempre incentiva seus educandos a não desistirem de seus sonhos.

TAGS

ensino médio, ensino remoto, gamificação, jogos

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