Personagens de 'O Cortiço' ganham perfis no Instagram em atividade escolar - PORVIR
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Diário de Inovações

Personagens de ‘O Cortiço’ ganham perfis no Instagram em atividade escolar

Em colégio privado de Porto Alegre (RS), professora usa a rede social como aliada para engajar os estudantes e trabalhar um clássico da literatura brasileira

por Karina Predebon ilustração relógio 8 de outubro de 2019

Sou professora há 19 anos e, atualmente, trabalho em uma escola privada de Porto Alegre (RS), o Colégio Farroupilha. Ministro aula de literatura para as primeiras e segundas séries do ensino médio. O trabalho com a literatura é desafiador e exige diferentes estratégias de leitura para engajar os estudantes, pois precisamos aproximar diferentes épocas e torná-las significativas.

O projeto da leitura da obra “O Cortiço”, de Aluízio Azevedo, associado a redes sociais, começou há seis anos. Inicialmente, foi utilizado o Facebook, depois, o Twitter e, em 2019, o Instagram. A escolha foi consequência do perfil dos estudantes, pois é a rede mais acessada por eles atualmente. Além desse aspecto, para a escolha do veículo utilizado, também avaliei a dinamicidade da rede, a potência para explorar a criatividade, a habilidade de síntese, o uso de linguagem não verbal, a relação com outros textos verbais (música), habilidades que poderiam ser exploradas com o uso do Instagram.

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O projeto durou aproximadamente seis semanas. Iniciei a atividade com a apresentação do conteúdo relacionado à obra, ou seja, o período literário Naturalismo. Foram expostos os aspectos históricos, as características, alguns fragmentos de textos do referido período e, na sequência, iniciamos uma conversa sobre o livro “O Cortiço”. Após esse momento teórico, o projeto foi explicado, e os estudantes acolheram-no com interesse e curiosidade.

O trabalho foi desenvolvido da seguinte forma: as turmas foram divididas em duplas e cada dupla era um personagem da obra. Cada personagem ganhou um perfil no Instagram, por exemplo: @ritabaiana22b (nome da personagem e identificação da turma). As personagens deveriam seguir e serem seguidas apenas pelos perfis da turma e o perfil da professora, @aluizioazevedo_literatura. As postagens tiveram um cronograma de leitura semanal para que todos estivessem na mesma parte da história. Além do cronograma, também havia regras para as postagens, número de “stories”, número de publicações no “feed” (linha do tempo) e comentários.

Os objetivos desse projeto eram proporcionar aos estudantes uma leitura dinâmica e interessante de um clássico da literatura brasileira e aproximar a literatura da atualidade. Por meio das publicações, era possível observar com mais atenção e verdade os dramas vividos por cada personagem, unir o estudo da literatura às mídias digitais do século 21, potencializar a leitura dos clássicos, oferecer estratégias de leituras diversificadas e instigar a curiosidade.
A obra “O Cortiço” adequa-se muito a essa atividade, porque apresenta um número grande de personagens, tipos diferentes de personalidades, histórias de vidas diversificadas, tem uma narrativa acelerada, dinâmica. Ou seja, em cada página, algo novo acontece, o que possibilita uma verdade no Instagram.

Ao longo do projeto, fui percebendo o interesse dos discentes pelo trabalho. Estavam envolvidos com suas personagens, defendiam a sua história de vida. O que possibilitou essa percepção foram os comentários feitos nas publicações e também nos encontros em sala de aula. Outro aspecto que os deixava atentos eram os comentários e as curtidas que o meu perfil fazia tanto nos “stories” quanto nas postagens. Esse ponto foi fundamental para o desenvolvimento do projeto, estar atenta, próxima e participativa. Os relatos ao final da atividade foram positivos. Os estudantes disseram que foi a melhor leitura do ano, que despertou o interesse, que foi divertida e organizada.


Karina Predebon

Graduada em letras pela Faculdade Porto-alegrense, especialização em linguagem e letramento, em ensino de gramática e em psicanálise na contemporaneidade. Professora do ensino médio de literatura da rede privada de Porto Alegre. Atuou por 19 anos na rede pública (estadual e municipal) como professora de língua portuguesa, literatura e produção textual no ensino fundamental e médio.

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ensino médio, redes sociais, tecnologia

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Luciane Senna

Parabéns pelo projeto. Precisamos de mais iniciativas assim em todos os níveis de ensino. Não é necessário adaptar os textos dos clássicos para que os estudantes os entendam. É necessário parar de repetir modelos sedimentados em nossa formação.