Professor usa horta para ensinar arte e trabalho em equipe - PORVIR
Crédito: racamani / Fotolia.com

Diário de Inovações

Professor usa horta para ensinar arte e trabalho em equipe

Para aproximar alunos de diferentes idades e ensinar sobre pintor Van Gogh, professor incentivou adolescentes a plantar girassóis, famosa tela do artista

por Anderson José Coresma Teixeira ilustração relógio 6 de julho de 2016

Na parte da tarde, eu ministro uma oficina de criação e artes para os estudantes do ensino integral. São alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental que ficam o dia inteiro na escola. Já estava no meu cronograma trabalhar o pintor holandês Van Gogh. Só que no período da tarde eles já estão muito cansados, e eu percebi que já estavam saturados de pintar tela e modelar argila. Então, fiquei pensando no que poderia fazer de diferente.

Um dia, eu estava passando pelo estacionamento do colégio, que fica perto da horta, e pensei “poxa, a horta tá vazia, a gente podia plantar algo”. E aí que surgiu a ideia de cultivar os girassóis que Van Gogh pintou.

Os objetivos da atividade eram instigar a pesquisa e a criação de novas ideias e trabalhos, conhecer a vida e obra do pintor de forma prática e incentivar o cuidado com o cultivo dos girassóis, além de intensificar os laços afetivos da turma e o senso de coletividade e cooperação, desenvolver disciplina e perseverança e observar como o clima interfere no desenvolvimento das plantas.

diario_inovacoesAlunos realizam atividade na horta do Colégio. Acervo pessoal.

Para começar, eu trouxe um videozinho de quatro minutos sobre a vida do pintor. Nós conversamos um pouco sobre o que ele pintou, mas ainda deixei algumas coisas de fora. Depois, falei para que os alunos partissem para a pesquisa de curiosidades sobre o Van Gogh, para em seguida apresentar para a sala o que cada um achou, durante uma roda de conversa.

Na quarta etapa do projeto, eu levei as imagens dos girassóis de Van Gogh pra sala de aula. Isso serviu como incentivo para os alunos pesquisarem como plantar os girassóis, quanto de água essa planta precisa, quais são os cuidados necessários e as etapas do plantio. Nisso eu já tinha pedido pro pessoal da escola preparar a horta. Finalmente, nós plantamos os girassóis.

Na próxima etapa, os alunos produziram um livro sobre todo esse processo. Registraram desde a etapa de pesquisa até quando a planta começou a germinar. A última atividade foi pintar os girassóis numa tela, quando eles já estavam grandes.

No começo, os alunos estranharam muito a atividade. Eles estavam acostumados a trabalhar na sala de aula, com tinta e material de artes. Então na hora que eu propus da gente ir pra horta, eles questionaram: “Mas como assim? O que a gente vai fazer na horta?”. Com o passar do tempo, eles foram mais receptivos.

Hoje em dia, os alunos têm muitos estímulos diferentes. Muitas vezes, na escola, a gente acaba trabalhando do mesmo jeito e não conseguimos atingi-los de maneira significativa

A parte de organização e disciplina também fazia parte dos objetivos da atividade, para que eles se acostumassem com uma proposta diferente. No fim, eles gostaram bastante de experiência. Até em dias que não era pra descer pra horta, eles queriam ir.

Eu percebi que os alunos ficaram bem mais abertos a novas propostas. Eles passaram a sugerir ideias e a socialização do grupo também melhorou muito. Como eles são de idades diferentes, tinha muita briguinha, um não queria fazer uma coisa, outro não queria ajudar o colega. Com esse projeto, eles se aproximaram bastante e aprenderam a trabalhar em grupo. No começo não foi fácil, mas eles perceberam que precisariam trabalhar em equipe, senão não ia dar certo. Eles mesmos, aos pouquinhos, começaram a se juntar, a se organizar melhor, para realizar as atividades.

Hoje em dia, os alunos têm muitos estímulos diferentes. Muitas vezes, na escola, a gente acaba trabalhando do mesmo jeito e não conseguimos atingi-los de maneira significativa. Eles não levam aquilo pra vida. Mas, nessa prática, eles plantaram, colheram, observaram e partiram pra pesquisa, ao invés de esperar tudo pronto do professor. Eles foram mais ativos na própria aprendizagem e gostaram mais.


Anderson José Coresma Teixeira

Curso Normal (antigo Magistério); formado em Pedagogia pela Faculdade Anhanguera de Campinas. Professor de Língua Portuguesa, História e Geografia no 4 º ano do Ensino Fundamental, professor da turma do período integral do Fundamental II.

TAGS

aprendizagem colaborativa, competências para o século 21, educação integral, ensino fundamental

3
Deixe um comentário

avatar
500
3 Comentários ao conteúdo
0 Respostas a comentários
0 Seguidores
 
Comentário com mais reações
Comentário em alta
2 Autores
Mariana FosterGeralda Quem acabou de comentar
  Acompanhar a discussão  
Mais recentes Mais antigos Mais votados
Tipo de notificação
Geralda
Visitante
Geralda

Oi, Anderson! Parabéns pela sensibilidade, organização e compromisso. Confirmo tudo o que disse quanto a melhora nas relações do alunos e o significado da aprendizagem para eles após essas experiências, pois trabalho assim desde 1995 e foi isso mesmo que verifiquei.

Mariana Foster
Visitante
Mariana Foster

Achei uma ideia interessantíssima. Uma sugestão que eu tenho para você, é trabalhar também artistas modernos que trabalhem temas atuais. Acho sinceramente que esse seria um grande acréscimo cultural para seu alunos!

Mariana Foster
Visitante
Mariana Foster

Ótima ideia! Uma sugestão que tenho para você, seria que trabalhasse também com artistas modernos que abordem temas atuais. Acho sinceramente que seria um grande acréscimo cultural para seus alunos.