Projeto para reduzir desperdício de alimentos na escola ganha prêmio “Respostas para o Amanhã” - PORVIR
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Inovações em Educação

Projeto para reduzir desperdício de alimentos na escola ganha prêmio “Respostas para o Amanhã”

Estudantes de São Carlos (SP) garantem o primeiro lugar com iniciativas do ensino médio para resolver questões da comunidade.

por Ruam Oliveira / Ana Luísa D'Maschio ilustração relógio 18 de novembro de 2021

Como a ciência, a tecnologia e o conhecimento podem mudar o mundo? As respostas para essa pergunta são o foco do “Solve For Tomorrow”, projeto global da Samsung. No Brasil, chamado de ”Respostas para o Amanhã”, a iniciativa, coordenada pelo Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), premia estudantes do ensino médio de escolas públicas que criam projetos para solucionar problemas de suas comunidades por meio da abordagem STEM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Os vencedores da 8ª edição foram anunciados nesta quinta-feira (18).

Os alunos da Escola Estadual Professor Sebastião de Oliveira Rocha, em São Carlos (interior de São Paulo), garantiram o primeiro lugar entre os dez finalistas de todo o país, com o projeto “TESLA – Reaproveitamento de resíduos orgânicos para a produção de biogás”. Trata-se de um biodigestor que transforma o alimento descartado em biogás, a ser utilizado no fogão da escola. A equipe também criou uma calculadora para apoiar as merendeiras a preparar a qualidade adequada de alimento, a fim de evitar desperdícios. A proposta futura é estender o uso do biogás para o sistema de energia da escola.

“Os estudantes observaram um desperdício maior de comida por parte do ensino fundamental, mas muitas vezes havia também um problema de cálculo de quantidade e era preparada mais comida que o necessário. Esse alimento ficava intocado no prato dos alunos e o nosso objetivo com o protótipo é reduzir esse descarte de comida”, explica a professora de Química e orientadora do projeto, Bárbara Guedes Rodrigues.

De acordo com Anna Helena Altenfelder, presidente do conselho de administração do Cenpec, o prêmio se destaca por dialogar com os principais desafios do ensino médio, que são a motivação, o vínculo e o interesse pelas atividades escolares. “Vivemos um momento de um grave descaso com a ciência, e o prêmio mostra exatamente o contrário: traz sua valorização como atuação cidadã”, afirma.

A gerente de Cidadania Corporativa da Samsung Brasil, Isabel Costa, aponta que, mesmo em modalidade online, percebeu a potência e capacidade dos estudantes de se engajarem na construção dos projetos e até mesmo na hora de organizar as mentorias. “A gente percebe que a maturidade dos projetos, a própria participação dos estudantes, como protagonistas, fez exatamente um grande diferencial no resultado do que desenvolveram”, disse.

Cada equipe tinha um mentor que dava suporte técnico pedagógico e metodológico para que eles pudessem avançar, criar as melhorias na etapa de prototipação e pudessem realizar os testes, explica Isabel. Esta é a segunda vez que o prêmio acontece em modalidade online e, para ela, essa mentoria por meio virtual fez diferença na comunicação entre as equipes, ampliando o caráter colaborativo dos envolvidos.

Ela conta que todas as equipes estavam muito engajadas desde o início, quando foram selecionados os vinte semifinalistas de uma lista com mais de oito mil projetos inscritos.

Como elemento de destaque, Isabel ressalta o protagonismo que percebeu entre os estudantes. “Eles assumiram realmente com muita propriedade o aprendizado, o processo construtivo e criativo dos projetos. Eu destacaria realmente essa mobilização que eles fizeram, inclusive na própria articulação das redes locais para conseguir alcançar melhores resultados nos seus projetos, sempre buscando referências e apoio”, conta.

Ainda em relação ao que pode ser destaque, a gerente ressalta que a escolha dos temas foi algo bastante positivo, por se tratarem de temáticas contemporâneas e complexas, que têm relação com o cotidiano de vida das pessoas – como os projetos sobre meio ambiente, impacto ambiental e redução de resíduos, por exemplo. “É uma intervenção científica através de projetos escolares, mas com alta competência, alta qualidade de entrega nos resultados e no próprio desenvolvimento dos seus protótipos”, disse.

Conforme a classificação dos vencedores nacionais, os estudantes recebem smartphones, tablets, smartwatches e as escolas ganham uma smart TV. Os alunos do júri popular ganham fones de ouvido.

Ceará e Pernambuco no pódio

A equipe de Cratéus, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, conquistou o segundo lugar com um sistema que utiliza radiação solar para purificar água de poços, por meio de condensação e evaporação. Pelo alto grau de salinidade, a água não pode ser utilizada, mas os alunos trabalham na construção de uma estação de monitoramento para analisar a qualidade, a fim de informar quando estiver adequada para o consumo.

Os alunos da Escola Dario Gomes de Lima, de Flores (Pernambuco), garantiram a terceira posição com o projeto “Carun-XÔ”, uma alternativa para combater os carunchos nos alimentos em grãos (como arroz, milho e feijão). Os agricultores podem aprender a utilizar o óleo com Catolé para evitar a aparição de pragas.

Conheça os vencedores das demais categorias:

  • Menção honrosa

Extratos vegetais e biofilme orgânico: uma alternativa sustentável (Toledo, Paraná)

Os estudantes do 1º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Jardim Porto Alegre criaram extratos vegetais e biofilme orgânico para melhorar a qualidade dos alimentos na pré-colheita, a fim de evitar o desperdício de frutos.

  • Selecionados pela votação popular

Projeto Descastanhador Môsa (Ocara, Ceará)

Os estudantes da EEEP (Escola Estadual de Educação Profissional) Maria Mosa da Silva desenvolveram um protótipo de descastanhador capaz de separar a castanha-de-caju sem danificar o fruto, para evitar o desperdício e aumentar a renda dos produtores.

 

Desenvolvimento de um bioplástico a partir da fibra do caroço da manga (Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul)

A equipe de estudantes da Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha desenvolveu um projeto que usa a fibra do caroço da manga para produzir um bioplástico, que pode embalar alimentos secos, como verduras, e até itens de fast food.

 

Reabilitação Pulmonar Alternativa de Baixo Custo à Pacientes Curados de SARS-CoV2 (Chapecó, Santa Catarina)

O protótipo dos alunos da EEB (Escola de Educação Básica) Bom Pastor auxilia na reabilitação pulmonar de pacientes que apresentam sequelas respiratórias devido à infecção pelo vírus da Covid-19.

 

*** Confira a íntegra da premiação de 2021


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