Site reúne aulas gratuitas de universidades de todo o mundo - PORVIR

Inovações em Educação

Site reúne aulas gratuitas de universidades de todo o mundo

Portal abriga quase cinco mil vídeo-aulas das melhores universidades do mundo; grande parte traduzida para o português

por Vagner de Alencar ilustração relógio 26 de abril de 2012

No Brasil, Tábata Amaral, uma estudante de 18 anos (veja aqui), foi destaque recentemente na mídia após ser aprovada em cinco universidades americanas, entre elas Harvard, uma das mais bem conceituadas do mundo. Ainda que frequentar aulas presenciais nestas instituições de ensino seja um privilégio para poucos, quem não teve a mesma sorte ou empenho de Tábata conta agora com um portal brasileiro que reúne aulas das maiores universidades do mundo, em um só local e com legendas em português.

No ar há dois meses, o portal Veduca já abriga 4.700 vídeo-aulas, grande parte traduzida para o português, com conteúdos de Stanford, MIT (Massachusetts Institute of Technology), NYU (New York University), Columbia, Michigan, Harvard, UCLA (Universidade da California, Los Angeles), Yale, Princeton, Berkeley e a australiana, UNSW, (University of New South Wales).

Portal Veduca vídeo-aulascrédito Sha

Outra novidade oferecida é a correlação entre notícias atuais e as vídeo-aulas. No portal, é possível ler matérias de importantes jornais e, em seguida, assistir aulas sobre o mesmo tema, que possam esclarecer e contextualizar a informação. Além disso, um campo de busca ajuda o usuário a achar temas específicos. Ao digitar, por exemplo, “Freud”, o portal remete a todas as vídeo-aulas que falam sobre o psicanalista, no momento exato em que ele é citado.

A ideia é que, até o final de 2012, mais da metade das vídeo-aulas esteja traduzida ao português e que, em 2013, todos elas sejam legendadas. O portal conta com a ajuda de voluntários, que fazem a legendagem dos vídeos de forma colaborativa, por meio de uma ferramenta disponível no site. As legendas são revisadas por especialista antes de serem publicadas.

Embora o Youtube disponha de canais voltados à educação, como o Youtube Education, “todas as palestras e cursos são soltos e sem tradução para o português, o que dificulta o acesso”, explica o engenheiro Carlos Souza, um dos fundadores do Veduca.  Segundo ele, “a educação mundial está sofrendo uma revolução.” Embora haja a facilidade de encontrar qualquer tema na internet, a enorme quantidade de conteúdos e, boa parte em inglês, faz com que esse seja um campo inexplorado pelos brasileiros. “Por conta da língua, a grande massa é incapaz de compreender esses conteúdos, pois apenas 2% dos brasileiros falam inglês”.

Potencial

Segundo um estudo realizado pelo CETIC.br (Centro de Estudos sobre Tecnologias da Informação e da Comunicação), o Brasil tem hoje 80 milhões de acessos mensais à internet, 66% dos quais buscam educação e treinamento.

“A Unicamp e USP estão no páreo. Mas é preciso criar a discussão de um modelo de negócio que nos permita custear os gastos, que não são baratos”

Nos Estados Unidos, o MIT (Massachusetts Institute of Technology) foi o pioneiro em disponibilizar aulas on-line, em 2002, o que deu início ao Open Course, um movimento que oferece conteúdos e materiais didáticos de graça pela internet.

O Veduca tem a ambição de incentivar universidades brasileiras a aderirem ao Open Course. “A Unicamp e USP estão no páreo. Mas é preciso criar a discussão de um modelo de negócio que nos permita custear os gastos, que não são baratos”, diz o fundador. A expectativa é que, para o segundo semestre, sejam realizados pilotos em algumas universidades.

Lia Pierson, professora de Psicologia Jurídica da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, conheceu o portal  por meio das redes sociais. Para ela, o Veduca é uma oportunidade de acesso amplo ao conhecimento. “Tenho recomendado o site aos meus alunos e divulgado o Veduca nas redes sociais. Acredito que o acesso livre e gratuito às diversas aulas e cursos deve ser um exemplo a ser seguido pelas universidades brasileiras.  A divulgação de aulas estruturadas, com a chancela de instituições de ensino e critérios acadêmicos na escolha é o exemplo que devemos pensar em seguir.”


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Marina Rosenfeld
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Marina Rosenfeld

Excelente!!!

Angelo Miguel
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Angelo Miguel

Excelente!

ROGGE
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ROGGE

Espero que os alunos já tenham adquirido uma escala de valores humanística, de sua própria cultura, antes de ouvirem as “análises” das matérias de importantes de jornais por meio de aulas sobre o mesmo tema, que possam “esclarecer e contextualizar a informação” recebida. Esse negócio de fazer a cabeça do mundo numa visão estadunidense é demasiadamente perigoso para a cultura mundial.

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