Como professora de biologia no ensino médio, percebi que os meus alunos gostavam muito de fazer atividades práticas. A partir do interesse deles, começamos a fazer um projeto de investigação científica para encontrar maneiras de tratar a água em propriedades da zona rural.
O tema do projeto surgiu durante conversas na aula de biologia. No começo do segundo ano, trabalhamos conteúdos relacionados ao Reino Monera, que é formado pelas bactérias e cianobactérias. Quando eu explico esse tema para os alunos, também procuro falar de problemas causadas por bactérias. Em uma roda de conversa, enquanto falávamos sobre alguns sintomas de doenças, a turma questionou se isso não poderia estar associado à ingestão de água contaminada.
Começamos a discutir a relação entre as doenças e a fonte de água utilizada na zona rural, onde moravam muitos alunos. Nesse momento, um aluno comentou que tinha lido em uma revista sobre uma planta capaz de purificar a água. Eu fiquei muito interessada e pedi para ele trazer esse material na próxima aula.
Quando fizemos a leitura do artigo, descobrimos que a Moringa Oleífera poderia ser utilizada para diversos fins, inclusive o tratamento de água. Foi aí que os alunos perguntaram se não poderíamos fazer um teste na escola. Ainda não tínhamos muita noção, mas escolhemos uma metodologia e começamos a nossa investigação.
Decidimos fazer um teste com cisternas da zona rural porque os alunos já tinham relatado ocorrências nesses locais. Eu aproveitei o interesse deles pelas propriedades da Moringa e também trabalhei conteúdos do Reino Plantae, que iríamos estudar nas próximas aulas.
Na hora de começar a pesquisa, tivemos algumas dificuldades financeiras. Para detectar as bactérias na água, seria preciso comprar um pó, responsável por emitir uma coloração que identificava a presença ou ausência de microrganismos. Depois de algumas buscas, verificamos que ele era vendido pela internet.
Como não tínhamos verba, compramos apenas cinco frascos. Usamos a estufa do laboratório de ciências e improvisamos uma cabine com luz ultravioleta. Utilizamos um grupo de controle e trabalhamos com uma amostra legal. Os alunos fizeram visitas em propriedades rurais e conseguiram detectar a presença de bactérias em uma das cisternas. Eles até fizeram uma entrevista com o morador da propriedade e questionaram se ele conhecia as propriedades da Moringa.
No começo, os alunos da zona rural estavam mais engajados, mas aos poucos todos se envolveram com a atividade. Durante todo o projeto, eu procurava direcionar os alunos para uma iniciação científica.
De uma discussão na aula de biologia, os alunos passaram a se interessar pelo assunto. Eles foram atrás da planta, começaram a fazer pesquisas no laboratório e saíram a campo para visitar propriedades na zona rural. Quando apresentamos esse trabalho na feira de ciências da escola, percebi que a turma já estava muito envolvida. Com esse projeto, também fomos vencedores do prêmio “Respostas para o Amanhã”, realizado pela Samsung.
Foi mágico ver como o interesse deles pela disciplina aumentou. A sala evoluiu muito depois dessa atividade. Eles passaram a questionar e pedir mais atividades práticas. Conseguiram vivenciar o que estava escrito no livro didático e cresceram muito.

