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Professor precisa abrir a cabeça, diz José Pacheco

Depois de já ter revolucionado os moldes tradicionais de ensino na Escola da Ponte, o professor português José Pacheco, hoje um estudioso da realidade brasileira, aposta na mudança de mentalidade dos professores e no apoio dos governos para haver inovação em educação. Segundo o educador, é preciso que as iniciativas isoladas que ele tem visto pelo país sejam registradas, avaliadas e incentivadas para não serem perdidas. Mais que isso: os professores devem se dispor a mudar para adotar uma postura mais descentralizada, aberta à reflexão, ao diálogo e à diversidade.

Pacheco se tornou mundialmente conhecido por revolucionar uma escola pública portuguesa, a Ponte, utilizando uma metodologia ousada: ele acabou com turmas, salas de aula, disciplinas e passou a ensinar conforme a motivação dos alunos. Lá, são os próprios estudantes que se organizam em grupos heterogêneos para estudar os assuntos que lhes interessam, são autônomos para pesquisar, apresentar os resultados para os colegas e, quando se sentem prontos, avisam que podem ser avaliados. O educador já está aposentado, mas sua proposta pedagógica continua sendo aplicada na Ponte e é replicada em vários países, inclusive no Brasil.

crédito André AvilaEntrevista com José Pacheco
 

Como o senhor definiria inovação em educação?

Os arquivos das universidades estão repletos de teses sobre inovação. Sendo um termo de vasto espectro semântico, eu poderia escolher uma definição qualquer e escrever aqui, mas não farei. Prefiro dizer que, no campo teórico da educação, já tudo foi inventado e que as teses são meras reproduções de teorias… Na prática, aquilo que tem sido considerado inovação não tem sido avaliado e, quase sempre, tem consistido apenas em pequenas mudanças num modelo educacional hegemônico e obsoleto. Esse modelo, dito “tradicional”, aquele em que é suposto ser possível transmitir conhecimento, faliu muito tempo atrás.

Nós, brasileiros, somos um povo aberto à inovação?

Sem dúvida que a mistura genética deu origem a um povo criativo. Acompanho algumas práticas embrionárias que provam a capacidade inventiva dos professores brasileiros. São iniciativas que partem de desejos e necessidades sentidas pelos atores locais. Essas práticas (talvez inovadoras) requerem descentralização, questionamento do modelo de relação hierárquica, negociação e contrato, respeito pela diversidade. Tais projetos poderiam constituir-se em oportunidade de mudança, mas o poder criativo não encontra acolhimento junto àqueles a quem compete gerir o sistema. Urge inovar, mas como pode acontecer inovação, se quem decide não tem consciência dessa necessidade?

O que de mais inovador o senhor tem visto pelas suas viagens pelo Brasil?

Tenho visto o trabalho discreto de muitos professores. Um trabalho que talvez mereça ser considerado inovador, mas que, por não ser apoiado pelo poder público, nem avaliado, se perde, quando os professores desistem de querer mudar as escolas, quando desistem de fazer das crianças seres mais sábios e pessoas mais felizes.

Existe mais abertura hoje para projetos que desconstroem a escola tradicional, como a Escola da Ponte ou a Educação Ativa?

Existe abertura por parte de educadores atentos à tragédia educacional brasileira. Há dados que mostram que há alunos que chegam ao ensino médio analfabetos ou incapazes de fazer uma interpretação de texto.

Urge buscar uma escola do conhecimento e abandonar um ensino meramente transmissivo, fomentar a organização do acesso à informação e a aprendizagem do uso do conhecimento.

As escolas se converteram ao mundo digital, mas mantêm e reforçam práticas de ensino obsoletas, o improviso e o imediatismo das “novas” práticas faz prosperar o insucesso. Urge instituir novas e autônomas formas de organização das escolas, mas também recuperar práticas antigas, sem a tentação de clonar a escola da Ponte ou adotar modismos.

Há muitos educadores com um estatuto social degradado, mal remunerados, mas que não desistem de desconstruir o modelo tradicional, de tentar melhorar, melhorando a escola. Eles sabem que o Brasil progredirá através da educação. Mas não aquela educação de que é feita a retórica de político…

Onde estão as principais barreiras para inovar? Nas escolas, entre professores, governantes, pais ou alunos?

A mudança em educação é um processo complexo e moroso: para grandes metas, pequenos passos. Urge buscar uma escola do conhecimento e abandonar um ensino meramente transmissivo, fomentar a organização do acesso à informação e a aprendizagem do uso do conhecimento.

A mudança das instituições passa pela transformação das pessoas que as mantêm. Estabeleça-se uma práxis pautada numa ética da responsabilidade e numa relação dialógica. Que se recusem ideias feitas e se escape à síndrome do pensamento único.

A formação dos professores é deficiente. As escolas são geridas numa racionalidade administrativa e burocrática. Mas o principal obstáculo é o professor, quando assume que o ato de educar é um ato solitário, quando recusa reelaborar a sua cultura pessoal e profissional, no exercício da convivencialidade.

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  2. Estamos lutando contra uma estrutura arraigada por anos, e através dos pais destes alunos que hoje frequentam a escola, percebemos o quanto perdemos por não haver a diversificação e verificar a “recusa cultural pessoal e profissional”, ficamos presos a um processo que hoje tem que ser mudado para que a instituição escolar tenha sua liberdade de atuação frente aos problemas relacionados com a sua comunidade, fato este que não acontece, temos que praticar o curriculum básico do estado. Não podemos ficar engessado por isso. Há falta da instrumentalização da pedagogia, outras metodologias são necessárias, a escola na qual trabalho, E. E. Bairro Nova Marília, não possui biblioteca e sala de informática, uma quadra de esporte precária, isto em 2012, é um absurdo, uma escola em São Paulo na cidade de Marília, não tem outros meios se não o quadro e o giz e uma comunidade que não participa. Credito que aqui é a escola que melhor representa uma oportunidade de melhoria, falta vontade política.

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  4. Sou Pedagoga, trabalho na região metropolitana de Curitiba. Sou Funcionária Pública. Concordo plenamente com a linha de pensamento do professor, Pacheco. Já fui à Portugal conhecer a Escola da Ponte; na Vila das Aves. Fiquei encantada com o trabalho lá desenvolvido. Eu tento e modifico minha metodologia. Trabalho de acordo com a fase em que a criança se encontra. Tenho tido sucesso no que faço.

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  9. infelizmente é triste ver tanta criança sendo massacrada com uma educação recheada de objetivos egocêntricos, políticos e anti-profissionais

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  11. É sempre o mesmo discurso. Algum fulano de tal que possui uma experiência tal, que conseguiu sucesso em alguma escola no Antigo Continente, então aparece aqui no Brasil supostamente querendo ensinar ou implementar suas teorias na área da educação.

    Então ao serem questionados, fazem algum tipo de análise da atual educação brasileira, falando sempre as mesmas redundâncias. Logo após as avaliações feitas, sugerem idéias sempre generalizadas, também redundantes, apontando os velhos e já conhecidos problemas e normalmente finalizam dizendo sempre parecido com o que foi dito na reportagem: “o principal obstáculo é o professor”. E obstáculo não no sentido de dizer que o professor precisa imediatamente e de forma radical ser enxergado e ouvido pela sociedade, mas no sentido de reforçar uma famigerada crítica feita à profissão do professor que é tão ignorada, menosprezada e pouco valorizada em nosso país. Ou seja, no final das contas, faz-se críticas generalizadas, mas na hora de objetivar uma delas, o professor é quem vira o alvo.

    Educadores ou teóricos como este senhor deveriam ouvir mais teóricos na área da psicologia familiar como Joel Birman, que afirma ser um dos problemas na educação a transferência que a sociedade e a família faz de suas responsabilidades para a escola, consequentemente para os professores. Em uma sociedade onde país precisam estar horas e horas fora de casa e em uma sociedade que cada vez mais exige mão de obras instantaneamente desses mesmos pais, as escolas acabam absorvendo os filhos com deficiências de “formação primária”, tendo que lhe dar primeiro com problemas de ordem básica educacional (moral, ética, valores), para só então tratar de assuntos eminentemente pedagógicos. Pior do que isto, as escolas viram grandes “depósitos” de crianças, já que elas estão superlotadas, sem aparato técnico, sem condições estruturais, o que dificulta diretamente o trabalho do professor, consequentemente da educação. Além dos professores que por baixos salários trabalham horas e horas dentro das escolas para compor salário e acabam deixando de se especializar, de se capacitar, atrofiando o próprio conhecimento, tornando-se repetidores de teorias e idéias.
    Então quando surgem professores que são considerados “diferentes” pela mídia, normalmente são professores que implementam métodos ou estratégias “lúdicas”, não que seja ruim, mas necessariamente não é sinônimo de “educação”, já que a educação é muito mais do que isto. Então quando saem os indicadores comparativos da educação, as escolas que estão sempre a frente nunca são as públicas, muito menos os tais professores lúdicos, mas as escolas privadas que normalmente estão afinadas com as exigências de cursinhos escolares visando provas tradicionais exigidas pelas melhores faculdades e universidades, inclusive públicas. Ou seja, uma emaranhado de retóricas e mentiras em nome da educação que nunca resolve de fato o problemas que longe está de ser esses discursos importantes de Portugal ou seja lá do país que for.

    Mas nada disto é novidade. Pessoas como este sr. apenas enxergam na nossa atual educação uma oportunidade para vender seus livros, dar suas palestras e cursos superficiais. Brasileiro adora ser enganado por “gringos”, faz parte da nossa história. Modelos escolares, educacionais e/ou pedagógicos que foram e são implementados em outros países, não podem ser jamais copiados pelos brasileiros, e isto pelo mesmo motivo que este sr. afirmou, já que o Brasil é feito de um povo com “mistura”. Além de termos uma cultura diferente da de um país como Portugal, já que além das enormes dificuldades que temos político-sociais, também temos uma grande defasagem econômica, e grande diferença territorial se comparado com estes países, também somos uma país que olha para a educação com desdém desde nossos primórdios pós-colonização.

    Sendo assim, por favor, senhores não venham com suas velhas (novas?) teorias, como esses que vem ao Brasil apenas para vender seus livros e soltar suas redundantes apreciações sobre a educação que em nada melhora nossa educação, ao contrário, continuam escondendo os reais problemas dela que está longe ser determinada a partir do professor.
    Com isto não digo que o professor não é a figura mais importante nesse processo, mas é exatamente por achar que ele é o mais importante, que não deveria ser colocado como o vilão da história, mas como uma das vítimas junto com os alunos e a sociedade, em um país onde valorizamos mais jogadores de futebol, ex-BBB, blogueiros e twitteiros, do que os professores. É exatamente por valorizar os professores que devemos ver que os vilões são aqueles que impedem que esta profissão seja exercida com excelência. E adivinha quem são os vilões: são os que ganham com a ignorância do povo, ou aqueles que vendem livros porque a ignorância abre caminho para ganhar dinheiro com suposto preocupação educacional. Verdadeiros teóricos são verdadeiros críticos. Mas não críticos de professores, mas críticos do atual sistema educacional. E pelo que eu saiba, um sistema educacional não é mudado apenas pelo desejo dos professores, pois se assim o fosse, já teria mudado. Ao contrário, o sistema é mudando pela sociedade em geral, o problema é que esta sociedade normalmente é cega para esses problemas, assim como o é para todos os demais problemas relacionados à política social, econômica e educacional do nosso país. Basta ver um pouco os noticiários e perceberá isto.

    E por favor, paremos com esta mania de achar que só professor deve trabalhar “por amor”. Todos deveríamos trabalhar por amor, pelo menos aqueles que enxergam no trabalho uma forma de manifestar a dignidade humana. E não é pelo fato de achar que a profissão de educador é uma das mais excelentes que o professor é o único de deve amar o que faz. O político, o bombeiro, o policial, o médico, etc., todos deveriam amar o que fazem, e nem por isso achamos que estes devem ganhar baixos salários ou serem desvalorizados. Então porque o professor deveria ganhar pouco e ser desvalorizado e ainda assim continuar se esforçando (“se mantando”) para exercer sua profissão com excelência, se para ter excelência num mundo globalizado e capitalista é preciso dinheiro? Então paremos com esta retórica barata, com estes discursos fajutos, com esta mania piegas de tratar o professor e incentivá-lo à base de sentimentalismo romântico de quinta categoria. Professor deve amar sim o que faz, mas amor não enche barriga. Façamos nossa parte e amemos também os professores, pagando bons salários, dando condições de trabalho, recuperando a dignidade dele e ajudando-os a educar os alunos. A educação não é função apenas do professor, mas da família e da sociedade.
    Aí quem sabe poderemos dar uns minutos do nosso tempo para ouvir esses teóricos “importados” que gastam bastante tinta de caneta pensando em ganhar muito dinheiro com suas teorias, mas pouco a favor para a educação “de fato”.

    Passar bem!

    Fabiano Mina

    • Olá Fabiano!

      Bem, pelo seu grande comentário pude imaginar que tu és professor. Admiro sua coragem para enfrentamento da difícil vida dos Professores no Brasil.

      Sobre sua crítica ao professor José Pacheco, percebi em suas palavras que você está generalizando e deturpando a ação de um experiente educador. Destaco apenas dois pontos, e recomendo que você aprofunde, para que você não perca mais tempo fazendo avaliações superficiais de uma prática educativa revolucionária, uma das poucas focadas na emancipação e felicidade do ser humano.

      Primeiro é que o Professor José Pacheco, não é um aventureiro, muito menos um teórico, se você conhecesse um pouco saberia que Pacheco é um grande crítico aos grandes teóricos da atual pedagogia, que nunca trabalharam como educadores. Ao contrário do que você diz, Pacheco antes de tudo é um prático, que fundamenta teoricamente o que faz, diferentemente do que é visto no atual modelo educacional: Por que as aulas têm 50 minutos? Por que é necessário separar os estudantes por faixa etária? Por que a escola elimina os que são diferentes? estude mais e veja sobre outras questões que o Pacheco levanta.

      Segundo ponto é que você fez uma leitura errônea sobre o que o Professor Pacheco diz a respeito do professor. Você escreveu um monte de baboseira para dizer que os professores são vítimas de um modelo de educação ultrapassado e falido. Concordo plenamente contigo sobre a valorização do professor, sabemos a URGENTE necessidade de criarmos condições estruturais para estes profissionais trabalharem e reivindicar por salários condizentes com sua importância de sua atividade para a humanidade. O que o Pacheco diz é que a educação não está centrada no professor, muito menos no estudante, o processo de aprendizagem tem foco nas interações que fazemos para compreender e agir no mundo.

      Para fundamentar isso Pacheco cita Paulo Freire “ninguém ensina ninguém aprendemos uns com os outros mediatizados pelo mundo”.

      Como você pode ver, o Professor Pacheco não está no Brasil para vender livros como você diz, mas ele vem do antigo continente para dar um tapa na cara dos brasileiros e dizer, o que vocês estão esperando, o brasil tem de tudo, teoria, prática e exemplos de uma nova educação, voltada ao bem da estar das pessoas (todas elas), da comunidade e do planeta.

      Infelizmente temos professores como você, que ainda acreditam que a finalidade da escola é qualificar mão de obra. Reflita sobre sua prática e veja que no final das contas você está sozinho.

      Caso queira conversar mais sobre o assuntos podemos continuar conversando.

      Passar bem

      Osni Arturo Francisco Junior
      Motirõ Sociedade Cooperativa

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  14. A METODOLOGIA DO PROFESSOR PACHECO É,SEM DÚVIDA, MUITO AVANÇADA PARA A NOSSA REALIDADE, MAS NO ENTANTO, ATÉ SIMPLES DE REALIZAR. IMAGINO OS ALUNOS COMO AUTO DIDATAS CONSTRUINDO O CONHECIMENTO. MAS INFELIZMENTE, COMO DIZ NA ENTREVISTA, ENCONTRAMOS AINDA, PROFESSORES QUE MESMO COM A FALTA DE APOIO, CRIAM SEUS MÉTODOS (SIMPLES) QUE NO FIM, SÃO SUPER EFICIENTES. QUEM SABE DA SALA DE AULA, É O PROFESSOR.