4 propostas pedagógicas antirracistas para as escolas refletirem e praticarem - PORVIR
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Inovações em Educação

4 propostas pedagógicas antirracistas para as escolas refletirem e praticarem

Promover uma educação antirracista parte do entendimento do racismo como um problema estrutural.

Parceria com Espaço de Ser

por Redação ilustração relógio 20 de novembro de 2020

Muitas vezes o racismo é entendido como uma questão entre duas pessoas, ou até mesmo confundido com o que chamamos de “bullying”, como se fosse apenas um ato preconceituoso exercido por alguém. Entretanto, o primeiro passo para promover uma educação antirracista é entender que o racismo, de acordo com diversos pesquisadores, como Silvio Almeida, é estrutural em nossa sociedade, promovendo, além da violência entre indivíduos e grupos, um grande abismo social.

No Brasil, 74% dos jovens brancos concluíram o ensino médio com até 19 anos, essa é a realidade para apenas 53,9% e 57,8% das pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, respectivamente, conforme revela um levantamento divulgado em 2019 pela Organização “Todos Pela Educação”. Se esse dado já é alarmante, imagine que o acesso à saúde, ao trabalho, ao saneamento básico, aos dispositivos culturais e até à moradia é muito menor para a população negra.

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Vale destacar que essa desigualdade é um desdobramento das diversas injustiças que negros e indígenas vivenciaram — e ainda vivenciam — desde a chegada dos portugueses no Brasil. As marcas e consequências de mais de 300 anos de escravidão permanecem e modulam as relações, os afetos e as oportunidades. Pois, de que adianta uma lei que liberta as pessoas, se essa suposta libertação se dá em um espaço hostil, sem oferta de trabalho, educação de qualidade e sem apoio para a reconstrução da vida?

Os espaços privilegiados continuaram a ser ocupados majoritariamente pela população branca. Imagine só: que mensagem passamos para a população quando, na televisão, o papel principal da novela é sempre de uma pessoa branca e a personagem negra é coadjuvante, ou está em uma posição de subalternidade? O que transmitimos para as crianças quando ensinamos apenas um lado da história (como bem nos falou Chimamanda Adichie, escritora nigeriana)? Para os portugueses, o Brasil foi descoberto, já para os indígenas, ele foi invadido.

Por isso, a educação antirracista pretende não só promover relações mais saudáveis entre as pessoas, mas também valorizar a história e a identidade dos povos oprimidos e dar recursos para que os estudantes tenham a capacidade crítica de perceber e combater o racismo que atua de forma transversal em todas as esferas da sociedade.

Pensando nisso, a Coordenadora Pedagógica do Espaço de SER, Renata Ishida, apresenta a seguir algumas reflexões e práticas antirracistas para as escolas.

1. Reconhecendo o racismo
Não adianta querermos combater o racismo se, antes de tudo, não o reconhecemos. É muito comum ouvirmos: “aqui nessa escola não tem racismo, as pessoas convivem de maneira harmônica”. Mesmo com a ausência de conflito, as instituições podem ser reprodutoras de uma visão racista: no seu currículo, nas práticas e até no silenciamento dessa questão. Que tal promover uma roda de conversa sobre o tema, fazer leituras em conjunto e aprender mais sobre como muitas vezes, mesmo sem intenção, acabam colaborando para essa desigualdade, com o uso, por exemplo, de expressões populares, jargões e atitudes racistas?

2. Revisão do currículo
Quem conta a história da escravidão no Brasil? Os escravizados ou os escravocratas? É fundamental que o currículo escolar vigente seja revisado, garantindo pluriversalidade, ou seja, que todas as perspectivas sejam apresentadas. Pela lei 11.645/2008, a história e a cultura afro-brasileira e indígena são temáticas obrigatórias no currículo oficial da educação básica.

3. Corpo docente representativo
Uma criança se sente representada não só pelas pessoas que vê na televisão ou internet, mas também por aquelas que a rodeiam. Ter um corpo docente formado por pessoas não-brancas concretiza a ideia de que existe oportunidade para todos e todas. Além disso, um corpo docente diverso amplia os olhares e experiências trazidas para o campo da aprendizagem.

4. Os espaços da escola
O espaço também educa. Quais são as imagens, os brinquedos e os objetos presentes pela escola? Se todas as ilustrações e bonecos forem de pessoas brancas, passamos o recado de que existe um padrão que é mais correto ou mais bonito. É fundamental que as crianças tenham acesso à diversidade na literatura, nas brincadeiras e nas suas referências de maneira geral.

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educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, equidade, inclusão

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