Projetos interdisciplinares motivam alunos durante aula remota | PORVIR
Valentin Russanov / iStock

Inovações em Educação

Projetos interdisciplinares online motivam alunos durante aulas remotas

Com o Microsoft Teams como base, educadores levam aprendizagem por projetos e conseguem avaliar o progresso acadêmico e emocional

Parceria com Microsoft

por Ruam Oliveira ilustração relógio 18 de junho de 2021

A professora Danielle Lima, que leciona Língua Portuguesa na Escola Caminho Aberto (SP), é conhecida pelos colegas como a professora “viciada em projetos”. Qualquer que seja o pretexto para ensinar uma habilidade ou competência diferente, lá está ela planejando algo que pode envolver no mínimo três outras disciplinas e movimentar a rotina dos estudantes.

Para incentivar que os estudantes observassem aspectos sobre o dia a dia, certa vez ela sugeriu que cada um investisse na produção de Diários de Bordo, registrados no Sway , aplicativo usado em conjunto com o Microsoft Teams. Os diários eram os mais variados possíveis e pediam que discorressem sobre alimentação (o que haviam comido); sobre arte em parceria com a professora de artes, para identificar com quais tipos de expressões e objetos se deparavam ao longo do dia; sobre movimento, com o apoio dos professores de educação física, para falar desde atividades como varrer a casa, lavar louça ou até mesmo exercícios físicos.

Projetos interdisciplinares são usados como estratégia para unir conhecimentos de  diferentes disciplinas, mas também como forma de engajar os estudantes e desenvolver habilidades de pesquisa, criatividade e comunicação, por exemplo.

Em um ambiente virtual, as possibilidades de representação destas novas competências a serem trabalhadas aumentam. Muitas escolas, inclusive, investem muito em projetos interdisciplinares em seus currículos inteiros.

“A gente sabe que os alunos têm muito acesso à informação e o professor será o mediador desses assuntos, quem vai filtrar e tornar significativas as informações que eles têm”, diz Alania Clementino Dias, do Colégio Paraíso, em Juazeiro do Norte (CE). Como método para inserir diferentes disciplinas, Alania afirma que é possível selecionar um grande tema e então incentivá-los a ver como cada uma delas observa a mesma questão. Ao trabalhar o texto jornalístico dentro dos estudos de gêneros textuais, por que não envolver a disciplina de história também e analisar aquele fato que está sendo descrito? É o que ela sugere.

Confira o infográfico com as 10 competências gerais da BNCC

“A gente já vive numa sociedade interligada, ainda mais com excesso de informação, então não dá para ficar separando [os temas] em caixas. As crianças já trazem essa mistura. São links que eles fazem e que a gente precisa entender esse protagonismo [deles]”, afirma Gabriela Paula dos Santos Branco, MIE Expert, professora dos anos iniciais no Colégio Marista Champagnat em Ribeirão Preto (SP). Esse tipo de conexão que se consegue por meio dos projetos interdisciplinares é uma forma que faz os estudantes aperfeiçoarem a leitura de mundo, ela afirma.

O ambiente virtual também possibilita um compartilhamento maior entre os colegas. Como parte das tarefas de aula, Alania conta que os próprios estudantes dividem com os demais colegas, via Sway, as descobertas e conexões que fizeram com os diferentes assuntos abordados nos projetos.

Essa colaboração é importante tanto para a turma quanto para o corpo docente. Construir um texto em conjunto no OneNote, criar uma nuvem de palavras no Mentimeter traz uma dinâmica maior para o projeto. Gabriela recentemente desenvolveu um projeto para a semana do Scratch em parceria com o professor de educação física. Nele, além de trabalharem gamificação e robótica, criaram um espaço para falar sobre emoções. Usando o Reflect junto com o Teams, eles criaram um painel para que os estudantes pudessem dizer como estavam se sentindo e compartilhar por meio de emojis com a turma o sentimento. “O que te faz feliz” era o tema central do projeto e os estudantes aproveitaram para registrar momento com a família, fazendo algum esporte ou jogando videogame, por exemplo.

Faz sentido?

Mas esse tipo de trabalho interdisciplinar não pode causar confusão na mente dos estudantes? Danielle reforça que seus alunos às vezes, quando se sentem muito perdidos, perguntam “é aula de quê agora?”, mas sempre explica que a aprendizagem não acontece dentro de caixinhas e os conhecimentos se complementam.

Projetos interdisciplinares podem ser promovidos em diferentes etapas da educação. A professora Simone Borba, instrutora no Programa de Aprendizagem Profissional no SENAC de Natal (RN) trabalha os ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável), propostos pela ONU (Organização das Nações Unidas), com diferentes turmas do ensino profissionalizante.

“Escolhemos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pois haveria a possibilidade de contemplar todos os cursos de aprendizagem e criar maior integração entre os alunos, promovendo colaboração, incentivando a comunicação e o desenvolvimento da empatia“, aponta a professora. “Os ODSs contemplam vários sistemas interconectados, e é uma importante fonte de debate e mobilização, permitindo abordar e construir conhecimento de várias disciplinas da escola formal, mas também oportunizar a cidadania, o protagonismo e o desenvolvimento de soluções criativas e inovadoras”, diz.

Leia também
Futuros possíveis na educação pós-pandemia
Aliar aulas síncronas e assíncronas depende de avaliação da conectividade
Dados mostram o nível de interação de alunos e facilitam tomada de decisão em atividades online

Esta busca de protagonismo dos estudantes também está na maneira como conduzem os trabalhos. Simone afirma que deixaram a possibilidade de que os próprios estudantes criem suas salas de reunião no Teams para poder debater os assuntos durante o projeto, visando trazer autonomia para eles.

Um outro ponto positivo destacado pela professora Simone se trata da possibilidade de desenvolver no aluno a habilidade de criar conexões e, com isso, ser capaz de resolver problemas, identificar onde um conhecimento pode ser aplicado ou não.

“Por conta das conexões que vamos agregando e trazendo, [os estudantes] estão se tornando mais criativos, mais colaborativos, ágeis e rápidos para resolver questões do dia a dia. É muito legal essa parte da conectividade e conhecimento. Uma coisa vai colando na outra e você, de repente, tem a conclusão do problema”, diz.

A professora Danielle, que foi vencedora do Prêmio Destaque Educação como prática pedagógica nos anos finais com o  projeto dos diários virtuais, afirma que o essencial em trabalhar com projetos é sempre colocar o aluno no centro, como protagonista, e também ouvi-los em relação ao tema que está sendo proposto. A recompensa é um aprendizado mais efetivo, com o desenvolvimento da comunicação, do pensamento crítico e de uma postura consciente do próprio aluno em relação ao que está aprendendo.

 

Quer saber mais sobre aplicativos para usar na educação remota?
Clique e acesse

Microsoft

TAGS

aprendizagem baseada em projetos

Deixe um comentário

avatar
500
  Acompanhar a discussão  
Tipo de notificação
X