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Inovações em Educação

Relacionar inglês e programação abre novas possibilidades de aprendizagem

Por mais que exista interesse crescente nas duas áreas, encontrar professores capazes de ensiná-las ao mesmo tempo ainda é um grande desafio para a maior parte das instituições

Parceria com Edify

por Luciana Alvarez ilustração relógio 21 de janeiro de 2022

Aprender inglês e aprender linguagens de programação estão se tornando essenciais para o mundo e, portanto, ganham cada vez mais espaço nas escolas. Como os alunos vão precisar ter alguma base em ambas as áreas para suas vidas futuras, algumas instituições começam a experimentar trabalhar ambos os conteúdos ao mesmo tempo, incluindo no currículo aulas de programação em inglês.

O colégio Fórum Cultural, de Niterói, Rio de Janeiro, terá neste ano letivo uma disciplina de programação e letramento midiático que será completamente em inglês. Vai valer para alunos do fundamental 1, a partir do 3º ano, abrangendo crianças de 8, 9 e 10 anos. “No ano passado a gente fez um piloto, como atividade extra, para 20 alunos. O resultado foi bem legal. Conseguimos trabalhar com lógica computacional, pensamento intuitivo, diferentes linguagens. Hoje, esses são pontos estruturantes para a construção da autonomia dos estudantes”, afirma Adriana Hassin, diretora da escola.

Como a instituição tem uma carga horária estendida de inglês desde a educação infantil, fazia sentido que a nova disciplina fosse oferecida no idioma estrangeiro. A ideia é ampliar o repertório nas duas áreas simultaneamente. As turmas do colégio, que até no passado tinham cinco aulas semanais de inglês, a partir de agora passam a ter seis, num total de 300 minutos.

“A gente viu na programação mais uma oportunidade de conectar esses meninos com novos conhecimentos e ampliar o repertório de linguagens. Em vez de usar material traduzido, eles já começam no inglês, que é para onde vai desaguar o escopo dessa nova competência”, explica Adriana.

Quem vai ficar responsável por lecionar a disciplina é uma professora de matemática fluente em inglês. Mas na sua missão, ela contará com o apoio dos coordenadores do setor de língua inglesa da escola. “Para nós, achar o professor não foi a parte mais difícil. O mais complicado foi modelar como oferecer o desafio de forma adequada para a faixa etária. Tivemos de mapear o que eles precisam saber de inglês e o que já conseguem desenvolver do raciocínio computacional”, conta a diretora.

E quem dá aulas?

Mesmo que as aulas sejam em português, o inglês vai estar diretamente presente em aulas de programação em muitos dos termos usados. Contudo, por mais que exista interesse crescente nas duas áreas, encontrar professores capazes de ensiná-las ao mesmo tempo ainda é um grande desafio para a maior parte das instituições.

“É muito difícil achar professores que tenham um conhecimento de programação, ainda que básico, e sejam fluentes em inglês, sobretudo em cidades do interior. Mas é uma demanda que existe em todo o país”, diz Vinicius Castilho, coordenador pedagógico no Edify e responsável pela solução To Hack, que promove a aprendizagem de programação e o letramento midiático em inglês.

Segundo Vinicius, embora todo mundo use tecnologias o tempo todo, a lógica de como desenvolvê-las não é um conhecimento corriqueiro. Pela dificuldade em encontrar esse profissional já completo, a saída tem sido capacitar alguns interessados. “A gente não seleciona professor, mas oferece treinamento e acompanhamento. Em geral, acaba sendo um docente da área de inglês que se dispõe a aprender programação”, relata.

Para que a formação dê resultados em pouco tempo, quando uma escola adota o projeto To Hack, todas as turmas, independentemente do ano, estudam os mesmos conteúdos. O docente não precisa ter conhecimentos prévios de computação. “Todos os alunos começam pela lógica, que é o primeiro passo. Isso tem que vir antes de falar de games, de linguagens específicas. Vão caminhar até chegar em inteligência artificial, internet das coisas. Dessa forma, o professor vai sendo preparado ano a ano”, explica Vinicius.

Relação inglês-computação

As múltiplas línguas fazem parte da história da humanidade – e seu estudo também é bem antigo. Não faz tanto tempo, contudo, que um conjunto de novas linguagens não faladas começaram a ser inventadas, as linguagens de programação. As primeiras foram inventadas em meados do século passado. Mais ou menos na mesma época, o inglês emergiu como língua franca do mundo: é a mais usada globalmente para comunicação de pessoas que falam idiomas diferentes.

Mas para pensar em conectar esses dois aprendizados na escola, deve-se ter em mente que a relação entre eles vai muito além de mera coincidência temporal. “O desenvolvimento das tecnologias mais novas tem alguns grandes polos, e o maior deles é no Vale do Silício, na Califórnia. Seja hardware, seja software, certamente o desenvolvimento de inovações se dá em língua inglesa”, afirma Flávio Rodrigues Campos, consultor pedagógico do Senac e professor de tecnologias na aprendizagem.

Por mais que as tecnologias estejam quase onipresentes, espalhadas por cada canto do planeta, na sua criação, elas são pensadas em inglês. “Os chips da Apple, por exemplo, podem até ser fabricados na China, mas os manuais foram escritos em inglês”, cita Flávio.

Claro que é possível começar a aprender computação em português mesmo, pois para as linguagens mais simples existem boas traduções. Contudo, o professor avalia que vale a pena entrar com o inglês desde cedo. “Conforme se avança e se entra na complexidade da computação, o inglês vai se tornando imprescindível. E há escolas em que os alunos já trabalham com inteligência artificial, com programas que não estão disponíveis em português. O inglês não deveria ser uma barreira, embora às vezes seja”, afirma.

Para Flávio, o sucesso da união dos dois campos depende da intencionalidade pedagógica. E por mais que sejam aprendidos juntos, os alunos devem entender que uma área não se limita à outra. “O inglês está dentro de um universo importante, e a tecnologia é só uma área. A relação faz sentido, mas não pode ter só esse recorte”, avalia.


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