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Crédito: Luciana Serra

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Transformar 2015 inova na experiência para discutir futuro da educação

Promovido pelo Inspirare/Porvir, Fundação Lemann e Instituto Península, 3ª edição do evento reuniu especialistas e representantes de experiências inovadoras de sete países

por Redação 25 de agosto de 2015

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Transformar

Quatro palcos, um espaço com ferramentas tecnológicas para promover o aprendizado e um laboratório maker. Esse foi o cenário, sem paredes, que proporcionou uma experiência inovadora a cerca 900 gestores, educadores, investidores, empreendedores e lideranças sociais que passaram o dia reunidos no Espaço Vila dos Ipês, em São Paulo, nesta terça-feira, na terceira edição do Transformar. Promovido pelo Inspirare/Porvir, Fundação Lemann e Instituto Península, o evento reuniu especialistas e representantes de experiências inovadoras em educação de sete países para debater temas como currículo e transdisciplinaridade, competências para a vida no século 21, conectividade e empreendedorismo em educação.

Acesse a playlist com todos os vídeos do Transformar 2015:

Para acompanhar a maratona de debates, todos os convidados receberam fones de ouvido e tiveram que fazer escolhas: como tudo acontecia ao mesmo tempo, cada participante pode personalizar sua experiência no encontro. Enquanto em um palco a secretária de educação de Helsinque relatava as mudanças curriculares que estão em curso na Finlândia, em outro ao lado o presidente-executivo do Plano Ceibal, do Uruguai, contava como conseguiu conectar todas as escolas à internet banda larga no país. Ao mesmo tempo, também era possível realizar uma oficina de instrumentos musicais num laboratório de fabricação digital, promovido pelo Programaê! em parceria com o FabLearn, ou aprender sobre ensino híbrido no espaço de experimentação de tecnologias educacionais.

“Resolvemos colocar em prática algumas das ideias que defendemos e derrubamos as paredes do nosso evento. A ideia é permitir que vocês tenham mais autonomia e possam aproveitar o evento de forma personalizada”, explicou Anna Penido, diretora do Inspirare, no início do encontro.

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Como todos estavam no mesmo ambiente, a interação entre os convidados foi facilitada, e ao longo de todo o dia, muitos aproveitaram para trocar ideias e fazer novos contatos, sem que isso atrapalhasse a dinâmica da programação. Quem queria prestar atenção nas palestras recebia o sinal da transmissão por rádio. Quem preferia fazer uma pausa, podia deixar o fone de lado.

Não precisamos de inovação em educação, mas um sistema que leve inovação à economia e à sociedade

Um dos principais destaques da agenda, a finlandesa Marjo Kyllonen abriu o evento falando das mudanças necessárias no currículo para acompanhar as novas demandas do século 21 e aproximar a escola do mundo real. “Devemos nos concentrar no desenvolvimento da colaboração e de competências sociais para que os alunos se tornem pessoas responsáveis no futuro”. À tarde, quando Kyllonen voltou a outro palco para continuar essa conversa com Nuricel Vilallonga, do Instituto Alpha Lumem, e Jennifer Adams, diretora do departamento de educação de Ottawa, no Canadá, dezenas de perguntas foram encaminhadas a elas sobre o tema.

O movimento maker nas escolas, demonstrado ao vivo no Fablab montado no espaço, foi também abordado por Paulo Blikstein, professor da Escola de Educação e do Departamento de Ciências da Computação de Stanford, em um dos palcos. O brasileiro disse que inovações como laboratórios de criação maker precisam chegar à escola pública para fazer com que o aprendizado faça sentido para o aluno. Além disso, defendeu que a pesquisa acadêmica precisa tratar dos resultados do movimento maker. “Existe um ciclo para compra de um monte de equipamentos, mas todo mundo se esquece de medir o impacto. Essas tecnologias empoeiram e a TV diz que elas não funcionam”, afirmou, explicando que há cinco anos se dedica a isso em Stanford para que o ciclo não se repita.

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Além de palestras de especialistas, o Transformar 2015 também abriu espaço para que oito professores brasileiros, distribuídos nos quatro palcos simultaneamente,  apresentassem experiências inovadoras com uso de tecnologia em escolas públicas. Em um deles, Eric Rodrigues, da Escola Municipal Emílio Carlos, no Rio de Janeiro (RJ), e Cleide Torres, da Escola Estadual Jardim Riviera, em Santo André (SP), mostraram diferentes realidades para implementação do ensino híbrido, metodologia que combina ensino online e offline. No primeiro caso, um professor motivado em uma escola com infraestrutura deficiente, enquanto no segundo a tecnologia demandou todo um trabalho de apropriação por parte dos professores.

Entre as tendências mais recentes discutidas durante o evento estão as novas formas de avaliação e certificação de aprendizados. O tema foi debatido à tarde, em um palco também muito concorrido, com a presença de Kimberly O’Malley, executiva do grupo Pearson, Nate Otto, diretor da organização de microcredenciais Badge Alliance, e Natacha Costa, diretora da Associação Cidade Escola Aprendiz. Eles relataram iniciativas que dão conta de avaliar e certificar competências como criatividade e trabalho colaborativo. No futuro, disse Otto, diplomas acadêmicos tendem a valer menos, o ensino passará a ser menos linear e, ao invés de um currículo, ganhará importância o portfólio de experiências. Ao falar de badges, representações simbólicas de aprendizado, ele mostrou como na Califórnia já foi criado um tipo de passaporte que acumula os feitos alcançados por alunos em diversas experiências, dentro e fora da escola.

A última palestra, realizada por Geoff Mulgan (leia a entrevista completa), diretor executivo do Nesta (Fundo Nacional para a Ciência, Tecnologia e Artes do Reino Unido), trouxe um panorama das inovações educacionais pelo mundo. Novamente, o palestrante estimulou a interação entre os convidados e provocou a plateia a refletir sobre o que é inovar em educação e se os temas abordados durante todo o dia seriam realmente disruptivos ou apenas modismos. Para ele, a inovação não pode se restringir à educação. “Não precisamos de inovação em educação, mas de um sistema que leve inovação à economia e à sociedade”, concluiu.

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TAGS

avaliação, competências para o século 21, conectividade, ensino híbrido, experimentação, interdisciplinaridade, novas certificações, transformar