Sabemos que entender e reconhecer os próprios sentimentos não é uma tarefa fácil para os adultos. Tampouco para os pequenos que, diariamente, podem experimentar uma série de sensações como frustração, alegria, raiva ou tristeza. Nesse sentido, sobretudo nos últimos anos, a educação socioemocional conquistou espaço necessário dentro das escolas, tornando-se uma contribuição fundamental para o processo de desenvolvimento da criança em todos os aspectos.

Entretanto, mesmo com avanços em relação ao olhar para a exploração das habilidades emocionais na primeira infância, observamos que alguns paradigmas necessitam ser desconstruídos, como não poder chorar, ficar bravo ou triste. Na verdade, trata-se do contrário: uma maneira eficiente é demonstrar e compartilhar nossos próprios sentimentos, assim como respeitar e validar todos os sentimentos dos pequenos ao longo do dia.

Sendo assim, elaboramos, para a turma de 3 anos da educação infantil, o projeto “Monstro das cores e as nossas emoções”. A atividade foi ponto de partida para alunos descobrirem como reconhecer, nomear e expressar seus sentimentos por meio de experiências lúdicas inspiradas no livro “O monstro das cores”, de Anna Llenas. Na história, a autora e ilustradora catalã associa as emoções às cores e isso serve como inspiração para experiências acerca do tema.

De acordo com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), interações e brincadeiras são eixos estruturantes para a educação infantil; dessa forma, o brincar permeia todo o nosso percurso, atribuindo maior significado para cada proposta, visto que é nos momentos de brincadeira que a criança se expressa, cria, explora e descobre mais sobre si e sobre o outro.

O projeto teve início com a confecção de um emocionômetro, recurso lúdico que auxilia as crianças a identificar suas emoções e sentimentos, sendo usado em diversos momentos para auxiliar na nomeação e o que no motivou aquele sentimento.

As emoções foram apresentadas separadamente, por cores: começamos pela alegria, já que este é um sentimento mais fácil de ser identificado pelas crianças. Para isso, contamos com o apoio de músicas, histórias, vídeos e finalizamos com uma “caixinha da alegria”, na qual as crianças guardam desenhos, fotos ou brinquedos que as deixam alegres.

Para espantar a tristeza, as crianças ouviram a história “Como espantar a tristeza”, de Roseana Murray e, a partir dessa leitura, confeccionamos uma estrela para presentear um amigo; por meio dessa proposta, aprendemos que um gesto de carinho e atenção pode deixar o dia de alguém mais feliz. Histórias sobre os medos serviram como disparadores para iniciar nossa conversa sobre esse sentimento tão difícil de lidar. Finalizamos com a confecção do “Monstro papa-medos”, que devora os medos que tanto angustiam os pequenos. A “garrafa da calma” foi o recurso utilizado para lidar com o sentimento de raiva (confira como fazê-la neste link do site Lunetas).

Finalizamos o projeto com a customização dos monstrinhos. Cada criança decorou seu próprio monstrinho, com base nas experiências vivenciadas, atribuindo cores e texturas aos seus monstros para representar seus sentimentos.

Por meio do projeto, as crianças aprenderam a perceber cada sinal que nosso corpo envia antes de um sentimento chegar. Mostrou também, que tudo bem ficar feliz, triste, com medo, raiva… é preciso apenas criar estratégias para lidar com cada um desses sentimentos.

As aprendizagens das crianças foram observadas em diferentes situações, como a apropriação de vocabulário específico em alguns momentos de conflito, por meio de falas como: “estou triste porque meu amigo não quer brincar comigo”, “estou muito bravo, porque ele pegou o meu brinquedo”, “estou feliz porque vou ao supermercado com a minha mãe”. Tais situações reafirmam a importância de planejar e incluir na rotina experiências relacionadas à educação socioemocional.


Relembre o podcast “0 a 5”, criado pelo Porvir em parceria com a Rede Nacional Primeira Infância

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Pedagoga, psicopedagoga, especialista em alfabetização e letramento. Atualmente trabalha no Colégio Franciscano Pio XII, em São Paulo, como professora de educação infantil.

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