O que fazer para engajar e criar novos leitores? - PORVIR
Crédito: WaveBreakMedia / iStock

Inovações em Educação

O que fazer para engajar e criar novos leitores?

O Porvir ouviu professores e professoras da exposição "Encontro com o Porvir" para listar estratégias que auxiliam o desenvolvimento de turmas que gostam – e se engajam – com a leitura

por Ruam Oliveira ilustração relógio 6 de janeiro de 2023

Quanto mais cedo alguém é estimulado a gostar de ler, maiores são as chances de que essa pessoa continue se envolvendo com livros e literatura na vida adulta. No entanto, encontrar-se com a leitura já em uma fase avançada não significa que tudo esteja perdido. 

Estimular a leitura em sala de aula requer criatividade e estratégia. Ainda mais levando em consideração as muitas formas de leitura existentes hoje em dia: o que aparece nas redes sociais, vídeos, posts em blogs, além de sites de notícias até chegar propriamente nos livros – sejam eles digitais ou físicos. 

O que fazer para engajar a turma? Qual seria a melhor plataforma a ser utilizada? É certo que uma mesma estratégia pode não funcionar para qualquer cenário, no entanto, aprender com quem está realizando boas iniciativas é uma forma de ter novas ideias, aptas para cada contexto. 

Pensando nisso, o Porvir conversou com professores e professoras da exposiçãoEncontro com o Porvir: trajetórias de educadores que transformam o presente e constroem o futuro” para saber como cada um tem lidado com a questão. Compartilhamos a seguir algumas ideias:

Convide a turma para construir junto

Uma dica valiosa é trazer a opinião e o interesse dos estudantes para o centro do debate. Eles podem contribuir com variadas possibilidades de interação e de escolha do que ler. A professora Giovanna Picolo, de Pinhal da Serra (RS) , apostou nesse envolvimento ao criar um jogo chamado “Like ou Dislike”. Simulando as ferramentas de redes sociais, a turma era convidada a dizer se curtiu ou não determinado livro, explicando os motivos, dando uma pitada do que se tratava a trama. 

Esse é um jeito de chamar a atenção dos alunos para a leitura em si, sendo que os próprios alunos trazem as indicações das obras. 

Crédito: Elza Fiúza/Agência Brasil

Clubes e reuniões

Os clubes de leitura são muito famosos entre aqueles que já são leitores. E para a turma que possui aqueles alunos e alunas mais interessados em leitura, uma forma de estimular ainda mais é convidá-los para debater sobre as temáticas encontradas nos livros. 

Mas um adendo: não só aqueles que já gostam de leitura podem participar, como também essas atividades podem ser uma forma de trazer quem precisa de apoio para se interessar. 

A professora Elineide Alves, de Cabrobó (PE), reunia todas as quintas-feiras, em encontros online, seus alunos para discussões literárias. Ela deu o nome de “Tertúlias Literárias” ao projeto, como referência a uma reunião entre amigos e famílias com um mesmo objetivo.

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Uma atmosfera de jogo

A gamificação também pode ser uma aliada fundamental na hora de engajar a turma com a leitura. Essa foi uma estratégia utilizada pela professora Gina Vieira, de Brasília (DF). Muito antes de iniciar seu projeto “Mulheres Inspiradoras” – que acabou virando livro e política pública – a docente já se dedicava ao estímulo da leitura entre seus estudantes. 

Gina conta que desenvolveu um projeto chamado “Arandela” com alunos dos anos finais do ensino fundamental. A ideia do projeto girava em torno de uma personagem, uma aranha, que vivia numa biblioteca e mandava recados para as crianças a fim de que elas fossem pegar livros emprestados no local.

“Antes de ela ser apresentada às crianças, era criado um grande mistério em torno do nome ‘Arandela’. Os estudantes eram provocados a imaginar quem era ela. Para isso, ela espalhava pistas e bilhetes misteriosos com dicas para os alunos imaginarem qual era a sua identidade. Depois de um período, ela se apresentava para as crianças e passava a construir uma amizade, sempre contando histórias, apresentando novos livros a serem lidos”, conta a professora.

Aliados na leitura

Outra proposta é promover atividades de leitura em conjunto. Ler com a turma é uma outra maneira de envolvê-los com a prática. O professor Doug Alvoroçado, do Rio de Janeiro (RJ), costuma incluir diferentes formas de leitura em suas aulas, mas faz isso sempre em sintonia com a turma. Para ele, ler com e para os alunos e alunas é uma maneira de despertar a atenção e criar conexão. 

“Recheio meu material, a minha sala e meu planejamento de livros. Isso dá aos alunos base e o primeiro impulso para querer saber quem é tal autor ou de onde vem aquela citação ou personagem. Alunos que se cercam de livros aprendem a pensar nos livros como amigos e aliados em sua busca por aventura e aprendizado”, conta o docente. 

Ele diz compartilhar com seus estudantes o que está lendo e faz o movimento contrário, pedindo que alunos e alunas contem para ele o que estão lendo. 

E tudo isso aproveitando as diferentes formas de leitura possíveis. Doug conta que tenta ao máximo diversificar os autores e tipos de texto. Ele também explora outras mídias para além do livro, como filmes, podcasts, fanfics, músicas e até jogos de celular que tratem da mesma temática com a qual esteja trabalhando. 

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Autores da própria história

Certas estratégias de leitura também podem estar combinadas à produção textual. A professora Sandra Cristina, de Maxaranguape (RN), escolheu o gênero carta e criou um projeto que não somente desenvolveu o gosto pela leitura, como também trabalhou a escrita da turma. 

As cartas eram enviadas a alunos de uma escola na comunidade vizinha, o que ajudou também a construir vínculos para além dos muros da escola. 

Leitura solidária

Embarcando nesta linha mais afetiva, existem alguns projetos simples, mas que contribuem bastante com o interesse da turma pela leitura. O professor Paulo Magalhães realiza desde 2018 o projeto “Leitura Solidária”. Os livros que ganha ele faz doações a alunos e outros membros da comunidade escolar. 

Aqui ele conta mais sobre o projeto:

Encontro com o Porvir: trajetórias de educadores que transformam o presente e constroem o futuro
Quando: Até 3 de fevereiro

Onde? No Museu Catavento

Endereço: Av. Mercúrio, s/n – Parque Dom Pedro II, São Paulo – SP

Valores: Os ingressos custam a partir de R$ 7,50 (meia-entrada)
e podem ser comprados no site (neste link) ou diretamente na bilheteria.

Às terças-feiras, a entrada é gratuita para todos os visitantes.

Atenção! Professores, coordenadores e diretores, supervisores, quadro de apoio de escolas públicas (federais, estaduais ou municipais) e quadro da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo têm direito à gratuidade. Crianças até 7 anos também não pagam.


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competências para o século 21, ensino fundamental, leitura

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