Tecnologia plugada ou desplugada: qual é a melhor para a sua aula?
Joel Rodrigues/Agência Brasília

Inovações em Educação

Tecnologia plugada ou desplugada: qual é a melhor para a sua aula?

Em nova coluna, Débora Garofalo fala sobre o papel da tecnologia em sala de aula: seja plugada ou desplugada, ela pode ser uma aliada poderosa no processo de ensino e aprendizagem

por Débora Garofalo ilustração relógio 8 de julho de 2024

É inegável que a tecnologia tem se tornado uma ferramenta cada vez mais presente no ambiente educacional, trazendo inúmeras oportunidades para enriquecer o processo de ensino e aprendizagem. No entanto, é preciso lembrar que a tecnologia é um objeto de conhecimento, como trazido no documento da BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Além de ser uma ferramenta de ensino, sua escolha para integração às aulas pode ser um desafio, considerando a diversidade de softwares e ferramentas disponíveis e a necessidade de alinhá-las aos objetivos e à intencionalidade pedagógica.

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A escolha da tecnologia “plugada” (digital), ou seja, aquela que requer conexão à internet, pode trazer benefícios como acesso a um vasto conteúdo online, interatividade em tempo real e possibilidade de colaboração entre os estudantes. Um exemplo concreto de tecnologia plugada seria a utilização de plataformas, como o Google Classroom, para compartilhar materiais, enviar tarefas e promover a interação entre os estudantes.

Por outro lado, a tecnologia “desplugada” (analógica), que não depende de conexão à internet, também tem seu valor no contexto educacional. Ela pode ser uma opção interessante para promover a criatividade, a autonomia e a resolução de problemas, sem depender da disponibilidade de aparatos tecnológicos e conectividade. Um exemplo de tecnologia desplugada são as atividades maker, como marcenaria, bordado e costura, ou a utilização de jogos educativos físicos, como quebra-cabeças e jogos de tabuleiro, para estimular o raciocínio lógico e a colaboração entre os estudantes.

Ao escolher a tecnologia adequada para sua aula, é importante considerar os objetivos de aprendizagem, as características dos estudantes e as possibilidades de integração da ferramenta ao currículo escolar. Além disso, é fundamental garantir a acessibilidade e a inclusão de todos, independentemente de sua familiaridade com a tecnologia.

Fatores para a escolha entre a tecnologia plugada e a desplugada

Existem diversos fatores pedagógicos a serem considerados na escolha e na utilização de tecnologia tanto de forma desplugada quanto plugada. A seguir, estão listados alguns exemplos concretos a ser levados em consideração para cada tipo de tecnologia.

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Plugada

Personalização do aprendizado: Plataformas de ensino online podem oferecer recursos de personalização do aprendizado, permitindo que os estudantes avancem em seu próprio ritmo e recebam atividades adaptadas às suas necessidades individuais.

Retorno imediato: Ferramentas de avaliação online, como questionários interativos, podem fornecer feedbacks (retornos avaliativos) imediatos aos estudantes sobre seu desempenho, permitindo que identifiquem áreas de melhoria e acompanhem seu progresso de forma mais eficaz.

Acesso a recursos educacionais digitais: A tecnologia digital oferece acesso a uma vasta gama de recursos educacionais digitais, como vídeos, simuladores e jogos educativos, que podem enriquecer o processo de ensino e aprendizagem e tornar os conteúdos mais atrativos e dinâmicos.

Crianças montam blocos durante atividade da Zoom
Divulgação Espaço de aprendizagem maker

Desplugada

Estímulo à criatividade: Atividades mão na massa, como produção de animações, podcast, jogos educativos físicos, como quebra-cabeças e jogos de tabuleiro, podem estimular a criatividade dos alunos. Eles são bons desafios para os estudantes, que devem encontrar soluções inovadoras para resolver problemas sem, necessariamente, recorrer ao digital, o que exige ainda mais criatividade em certas situações.

Desenvolvimento da coordenação motora: Atividades práticas, como trabalhos manuais que envolvam a cultura maker e o senso estético, podem contribuir para o desenvolvimento da coordenação motora fina dos alunos, auxiliando no aprimoramento de habilidades motoras importantes.

Interação social: Atividades maker, jogos de grupo, como jogos de tabuleiro, em que os estudantes precisam interagir e colaborar uns com os outros, promovem a interação social e o trabalho em equipe, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais.

Ao considerar esses fatores pedagógicos e escolher a tecnologia adequada para integrar às aulas, os professores podem potencializar o aprendizado e promover uma experiência educacional mais significativa e engajadora, seja de forma desplugada, seja plugada. O importante é utilizar a tecnologia de maneira consciente e planejada, visando sempre o desenvolvimento integral dos estudantes.

O que devo considerar para a escolher a ferramenta

Na hora de escolher a tecnologia a ser incorporada às aulas, o professor deve considerar diversos aspectos para garantir que a ferramenta selecionada contribua efetivamente para o processo de ensino e aprendizagem. Alguns pontos importantes a serem levados em consideração são:

Objetivos de aprendizagem: O professor deve ter clareza sobre os objetivos pedagógicos que deseja alcançar com o uso da tecnologia. A ferramenta escolhida deve estar alinhada com esses objetivos e ser capaz de potencializar e enriquecer a aprendizagem.

Perfil dos estudantes: É essencial considerar as características e as habilidades dos estudantes ao escolher a tecnologia a ser utilizada. A ferramenta deve ser adequada à faixa etária, ao nível de conhecimento e aos interesses da turma, promovendo uma experiência de aprendizagem significativa.

Acessibilidade: O professor deve garantir que a tecnologia escolhida seja acessível a todos, independentemente de suas habilidades digitais ou de possíveis limitações. É importante verificar se a ferramenta atende aos princípios de design universal e oferece suporte para a inclusão de todos os estudantes.

Integração curricular: A tecnologia selecionada deve ser integrada de forma significativa ao currículo escolar, complementando e enriquecendo as atividades de ensino. O professor deve planejar como a ferramenta será utilizada em conjunto com os conteúdos programáticos, de modo a promover uma aprendizagem mais profunda e contextualizada.

Facilidade de uso: A usabilidade da tecnologia é um aspecto importante a ser considerado, especialmente para garantir que tanto o professor quanto os estudantes consigam utilizar a ferramenta de forma eficaz e intuitiva. É recomendável escolher ferramentas que sejam simples de operar e que não demandem um longo tempo de aprendizagem.

Segurança e privacidade: Ao escolher tecnologias que exigem o compartilhamento de dados pessoais dos estudantes, o professor deve garantir que a ferramenta atenda aos padrões de segurança e proteção da privacidade. É importante verificar a política de privacidade da plataforma e informar aos estudantes e responsáveis sobre o uso dos dados.

Meninas montam placa micro:bit durante aula de robótica
Crédito: Susana TROUDE-LESCOUT/Gub.uy Meninas montam placa micro:bit durante aula de robótica

Tais aspectos são bastante relevantes não só no planejamento do currículo e das atividades, mas também durante a avaliação daquilo que já foi realizado em sala, a fim de se fazer ajustes em próximas oportunidades. Considerando esses aspectos, o professor poderá fazer escolhas mais conscientes e assertivas ao incorporar a tecnologia às aulas, proporcionando uma experiência de aprendizagem enriquecedora e significativa para os estudantes. 

A escolha da tecnologia para integrar às aulas deve ser pautada pela reflexão sobre as necessidades pedagógicas, os recursos disponíveis e as potencialidades de cada ferramenta. Seja ela plugada ou desplugada, a tecnologia pode ser uma aliada poderosa no processo de ensino e aprendizagem, desde que utilizada com intencionalidade para a promoção da aprendizagem. 


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educação mão na massa, ensino fundamental, tecnologia

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