O que fica depois de dois anos de uso intensivo de aulas remotas - PORVIR
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Inovações em Educação

O que fica depois de dois anos de uso intensivo de aulas remotas

Quais são os aprendizados em termos de boas práticas e experiências nesse período de fechamento e abertura das escolas?

Parceria com Microsoft

por Ruam Oliveira ilustração relógio 22 de novembro de 2021

O ano letivo está quase chegando ao fim. Nessas muitas idas e vindas, incertezas sobre reaberturas e fechamentos das escolas, uma coisa foi certeza: educadores e educadoras precisaram usar cada vez mais a criatividade para dar aulas. A tecnologia se manteve como uma ferramenta necessária e muito útil ao longo desse processo.

Foram cerca de dois anos em um cenário que envolveu muitas aulas online, muito uso de aplicativos de videoconferência e diferentes plataformas tecnológicas para manter o ritmo. Planejar essas ações, mesmo depois da experiência em 2020, ainda não parece ser uma ação tão fluida.

“A gente ficou surpreso com o problema dos professores de fazerem um planejamento antes de começar uma ação. Com o advento da apostila e do livro, eles acabam não fazendo esse tipo de coisa. Não fazem planejamento de aula, seguem o livro como um planejamento, então na pandemia isso teve que ser mudado, não deu para fazer desse jeito”, aponta Kety Viana, pedagoga e coordenadora pedagógica na Redesenho Educacional.


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A pedagoga, que atua com formação de professores, pontua que o problema de planejamento, ao longo da pandemia, foi contornado quando incentivaram os educadores a trabalhar com roteiros de atividades, o que também se mostrou positivo pois demandou que os estudantes usassem de sua autonomia para concluir atividades.

Boas práticas surgiram ao longo desse processo. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas e já conhecidas nesse segundo ano de pandemia, o contexto possibilitou um avanço significativo em metodologias ativas, por exemplo, e na conscientização de que o estudante precisa ocupar um papel de protagonista em sua aprendizagem.

Além de explorar mais metodologias ativas, esse período trouxe uma presença maior de jogos como apoio às aulas. O Minecraft, por exemplo, é uma dessas ferramentas amplamente usadas para explicar diferentes conceitos. O professor Francisco Tupy, coordenador de projetos especiais no colégio Visconde de Porto Seguro, em São Paulo (SP), destaca que usar elementos dos jogos dentro da estratégia de aula era uma tendência que já vinha em um crescente ao longo dos últimos anos e que foi muito bem aproveitada neste ano.

O que envolve o jogar é uma forma de mídia. Cada vez mais, as plataformas ficaram interativa

“Tudo relacionado a games, tanto no contexto educacional quanto no contexto geral, teve uma ampliação muito grande. A gente tem que entender como o game e a gamificação entram nisso também. O que envolve o jogar é uma forma de mídia. Cada vez mais, as plataformas ficaram interativas”, apontou Francisco. Seja por meio de um jogo no computador ou celular, a interatividade se tornou cada vez mais presente nas dinâmicas escolares. Colocar o estudante com a mão na massa, por exemplo, entra dentro desse contexto.

Aplicativos que usam questionários, de construção de sites e portfólio, como o Sway,  também se popularizaram na prática docente.

“A pandemia não trouxe somente mudanças tecnológicas, ela trouxe mudanças culturais. Esse é o grande legado. 2021 foi um ano que teve uma demanda tão grande ou até maior que 2020, porque foi uma situação pós pandêmica”, comenta o coordenador.

Uma outra ferramenta que apareceu bastante na fala dos entrevistados foi o Flipgrid, uma plataforma onde educadores podem trabalhar conteúdos audiovisuais como vídeos e fotos e interagir com a turma. Kledson Bilio de Sousa, analista de tecnologias educacionais do Marista Centro-Norte aponta que essa ferramenta possibilitou aos professores, ao longo do ano, exercitar competências e habilidades de comunicação, além de ser um incentivo para que os estudantes expressem suas opiniões.

Com a pandemia, todos fomos obrigados a rever a forma de comunicação e interação, buscando todos os recursos possíveis para conseguir alguma conexão com o aluno

“Muito se fala de comunicação, colaboração, criatividade, criticidade, então a gente tem que ter elementos para desenvolver isso”, afirmou. Principalmente em um contexto de isolamento, ferramentas que envolvem a participação ativa de estudantes acabam sendo muito buscadas.

Entre as práticas para esse ano, ele também citou a busca por ferramentas que olhassem para o lado socioemocional da turma. O Reflect, por exemplo, uma ferramenta usada junto ao Teams, possibilita que os educadores abordem como os estudantes estão se sentindo e iniciem uma conversa sobre emoções.

Kety Viana, aponta que na Redesenho Educacional recebem diversos relatos de práticas docentes também envolvendo questões emocionais. Este ano a coordenadora relatou a produção de um “emocionômetro” feito com emojis. Entre as práticas coletadas por Kety, ela destaca que houve um aumento naquelas envolvendo sala de aula invertida, muito propícia em tempos de ensino híbrido.

“A sala de aula invertida é um modelo sustentado de ensino híbrido, que vai permanecer, que precisa [permanecer] na verdade, porque a gente não tem tempo suficiente para fazer a recomposição das aprendizagens”, destaca.

O que a experiência deste ano conta é que a tecnologia precisou ser cada vez mais incorporada pelo próprio corpo docente. Mesmo aqueles que tinham certa resistência, precisaram vencê-la para poder avançar. “O professor da rede pública, em sua maioria, estava habituado a dar suas aulas apenas com o giz, lousa ou outro recurso que a escola tinha, os quais eram escassos. Com a pandemia, todos fomos obrigados a rever a forma de comunicação e interação, buscando todos os recursos possíveis para conseguir alguma conexão com o aluno”, explica Ana Paula Marola, formadora na SEDUC-SP (Secretaria da Educação do Estado de São Paulo). “Foi necessária uma readequação de recursos, didática e comunicação para que o período puramente virtual ocorresse e agora é uma nova fase de adaptação, pois não se voltará mais a fase do giz e tampouco se ficará só com a tecnologia virtualmente, pois enriquecemos com a presença das pessoas. Assim, os professores estão tendo que estudar muito, conhecer o seu público e se adequar às diversidades dos alunos e acessos“, relata.

Para Kledson, uma prática modificada durante a pandemia foi a maneira como se pensa a avaliação. “Acho que a gente vem numa perspectiva muito do conteudista no sentido de passar conteúdo, avaliar para mensurar a assimilação de conteúdo e algumas competências e habilidades ficavam defasadas porque nem sempre uma prova consegue [delimitar isso]. E, sobretudo, quando a gente fala de uma teoria de múltiplas inteligências, onde muitas vezes aquele resultado numérico não reflete o desenvolvimento daquele estudante”, aponta. O analista diz que foi um desafio, mas que ao mesmo tempo serviu para o amadurecimento de ideias e práticas, incluindo a necessidade de buscar outras formas avaliativas.

O professor Francisco Tupy destaca que, uma outra tendência que permanecerá para os próximos anos é a presença da tecnologia nas escolas, visto que os educadores e educadoras se apropriaram do conhecimento e dessas novas habilidades tecnológicas, que segundo ele, não serão perdidas, mesmo que o cenário seja de menos aulas online.

Vídeos discutem como colocar aluno no centro da aprendizagem com uso da tecnologia

Pessoalmente, olhando para a própria prática, Tupy afirma que reestruturar o planejamento de aula foi um fator determinante este ano, para compreender o aluno quando está em casa e quando está na escola. “Eu tento muito me colocar no lugar do aluno, nas possibilidades que ele tem, as limitações que tem para que possa ser ensinado, para que possa ser visto”, disse.

Apesar dos aprendizados, contudo, tanto Kety quanto Kledson destacam que nem tudo o que foi aprendido em termos de uso das tecnologias permanecerá nos próximos anos. Kety acredita que aulas síncronas, por exemplo, vão perder espaço quando o modelo presencial for majoritário nas escolas.

“E eu acho uma pena, a gente tem estimulado que isso não aconteça, mas acho que é uma tendência. E também eles [os professores] têm muitas demandas nas escolas, acaba mesmo deixando para lá essa questão”, pontuou a coordenadora. Para ela, no entanto, é importante que exista uma mobilização para incorporar a tecnologia como parte da cultura escolar e não somente como complemento, usado “de vez em quando para que o aluno fique feliz e engajado”.

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Que matéria excelente!

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